Em janeiro, as fortes chuvas em Santa Catarina causaram danos significativos, com 13 municípios declarando situação de emergência e mais de 850 pessoas desabrigadas ou desalojadas, segundo a Defesa Civil. Florianópolis e Balneário Camboriú registraram cenas impressionantes de rodovias e avenidas submersas, além de carros arrastados. Na capital, o volume de chuva superou os 300 milímetros em 24 horas, ultrapassando a expectativa para todo o mês.
Em meio aos caos provocado por situações como essa, a qualidade e detalhamento de informações é fundamental para orientar as decisões dos gestores públicos. Afetado por uma tragédia sem precedentes em maio do ano passado, o Rio Grande do Sul está adotando tecnologias de dados que buscam justamente qualificar o acesso a informações sobre possíveis alagamentos e potenciais danos – e algumas delas podem servir de exemplo para cidades catarinenses.
“Frente ao aumento de eventos extremos, mais do que nunca é importante que os gestores estejam munidos de informações e análises detalhadas para que tomem decisões bem fundamentadas, tanto para a prevenção quanto para a resposta aos desastres”, comenta Venicios Santos, diretor de Negócios da Codex. Especializada em governança de dados, meio ambiente e mudanças climáticas, a empresa atuou para ajudar o Rio Grande do Sul, e mais especificamente a cidade de Porto Alegre, a implementar nada menos que 17 soluções num período de 32 dias.
Simulações de inundações em 2D e 3D, e painéis de monitoramento e de impactos em tempo real estão entre as soluções. Abaixo, confira algumas delas:
Plataforma oficial de dados sobre inundações: Essa plataforma fornece mapas virtuais e painéis interativos com simulações detalhadas da extensão das inundações e seus impactos na infraestrutura da cidade, no caso, Porto Alegre. Servindo como um hub central de informações, combina análises espaciais abrangentes sobre os danos tanto à infraestrutura quanto ao tecido social. Ideal para gestores públicos, urbanistas e equipes de resposta a emergências, oferece insights precisos e atualizados para a tomada de decisões.
Simulações de inundações e rupturas de barragens em 2D e 3D: A solução permite a visualização e análise da área potencialmente impactada, apresentando os edifícios afetados em 2D e 3D, por meio dessa visualização geoespacial é possível estruturar políticas de realocação da população que esteja em vulnerabilidade ocasionada pelo leito do rio ou por questões sociais, por exemplo.
Análise de impactos com imagens de satélite: Utilizando imagens de satélite de alta resolução (50 cm), o aplicativo permite uma visão detalhada dos impactos causados pela elevação do nível das águas do Lago Guaíba , em Porto Alegre, por exemplo. Com essa ferramenta, é possível comparar a vista aérea da cidade antes e depois do evento, facilitando a análise das mudanças e dos danos causados.
Avaliação dos impactos sociais: Painel que fornece uma visão detalhada das condições socioeconômicas de populações socialmente vulneráveis, com dados provenientes do Cadastro Único (CAD Único). Reúne informações sobre renda, acesso a serviços essenciais, educação e habitação, permitindo a identificação das áreas com maior vulnerabilidade social e apoiando a implementação de políticas públicas.
Monitoramento de áreas de risco de deslizamento: Este painel apresenta as áreas de risco de deslizamento mapeadas pelo CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) para o estado do Rio Grande do Sul. Além de visualizar as áreas críticas em 2D e 3D, é possível identificar os edifícios localizados nessas áreas. Com filtros por cidade e área de risco, a ferramenta permite listar os edifícios em risco e gerar alertas para os municípios.
Avaliação dos impactos na infraestrutura pública: O aplicativo permite a visualização dos bens públicos de Porto Alegre afetados pela elevação do nível das águas do Lago Guaíba. Utilizando um controle deslizante interativo, é possível gerar modelos e apresentar diferentes cenários de níveis de água.

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