Por Felipe Didoné*
O cinema brasileiro vive um momento histórico com o sucesso mundial do filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles.
Após conquistar prêmios importantes, como o de Melhor Roteiro no Festival de Veneza, em setembro do ano passado, o Globo de Ouro de Melhor Atriz para Fernanda Torres, no início deste ano, e agora três indicações ao Oscar 2025, incluindo a inédita categoria de Melhor Filme, o longa brasileiro tornou-se uma verdadeira febre nacional.
Nunca o mundo do cinema esteve tão em voga no Brasil. Até mesmo quem não costuma se interessar pelo tema acaba se envolvendo nessa onda. O filme é o assunto do momento, tanto nas rodas de amigos quanto nas redes sociais.
Polêmicas ideológicas à parte, o fato é que trata-se de uma produção belíssima, capaz de contribuir para uma nova fase do cinema nacional, independentemente de conquistar ou não as tão desejadas estatuetas.
O Brasil conta hoje com um mercado audiovisual vibrante, repleto de ótimos diretores, produtoras de qualidade e uma ampla rede de distribuição e exibição. Após um período difícil durante e após a pandemia, o cinema brasileiro parece estar renascendo. A repercussão mundial de Ainda Estou Aqui só fortalece esse momento especial.
Além disso, o mercado brasileiro está diversificado, com polos fortes de produção fora do eixo Rio-São Paulo. Minas Gerais, Pernambuco e Santa Catarina, por exemplo, têm se destacado com produções de alta qualidade e vários longas sendo lançados. Enfim, é a sétima arte vivendo, talvez, seu melhor momento no Brasil.
No Festival de Berlim, um dos mais importantes da Europa, que acontece de 13 a 23 de fevereiro, o Brasil terá nada menos que nove filmes em exibição. Dentre eles, O Último Azul, dirigido por Gabriel Mascaro, concorre ao Urso de Ouro na mostra competitiva, enquanto outros oito nas mostras paralelas. É uma participação bastante abrangente, que evidencia a força do nosso cinema!
Quem sabe trazemos mais um Urso de Ouro este ano? O último foi conquistado em 2008 com Tropa de Elite, de José Padilha, e antes dele com Central do Brasil, do próprio Walter Salles.
Viva o Cinema Brasileiro!
*Felipe Didoné é Diretor do Paradigma Cine Arte
Foto: Freepik
