O não-poder do não
05 de Setembro de 2024

O não-poder do não

Teorias dizem que nosso cérebro não reconhece a palavra “não”

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por Elza Galdino*

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Não pense em uma girafa azul.

Agora, não pense em uma Kombi amarela.

Conseguiu?

Pois é!

Teorias dizem que nosso cérebro não reconhece a palavra “não”. Ou, simplesmente não a “obedece”.

Assim, nossos textos deveriam ser elaborados atentando-se para esse fato.

Vai daí que convites exortativos (sim, estou usando a palavra propositadamente) do tipo “NÃO PERCA!”, que juntam duas palavras de conotação negativa, têm menos probabilidade de serem atendidos.

O que se quer dizer é “VENHA!”. Então, por que não dizemos?

Hábito, talvez.

Ouço um anúncio que pretende elogiar um produto e o foco do texto é… arrependimento. Não é a intenção do anunciante, acredito, que alguém se arrependa de contratá-lo.

E, provavelmente, a intenção do criativo tenha sido somente causar um certo suspense.

Mas com o tempo cada vez mais limitado, e a capacidade de concentração cada vez mais reduzida, seria o caso de ir direto ao ponto e dizer “você vai economizar comprando nosso produto e poderá usar esse dinheiro em outros projetos”.

A linguagem direta parece pouco afetuosa, mas evita interpretações dúbias e muitos desentendimentos.

Assim, o slogan “Se beber, não dirija”, por exemplo, poderia ser “Se beber, pegue um táxi” ou, atualizando, “Se beber, chame o Uber”.
Juro que “Não vou gastar demais” ou que “Vou controlar meus gastos”?

Quantas pessoas conhecemos que começam qualquer resposta com um “NÃO”. É hábito.

Então a ideia é: Você quer? Você vai? Você tem? Que a resposta, por favor, seja: Sim, eu quero. Sim, eu vou. Sim, eu tenho. E que o “NÃO” sinalize, mesmo, que não quer, não vai, não tem.

A Programação Neurolinguística (PNL) afirma que o “não” é uma abstração, e que o cérebro se fixa no que vem após a palavrinha. E que a linguagem negativa provoca o que se quer evitar.

Para melhorar a vida, então, obtendo os resultados que desejamos podemos, por exemplo, trocar o “não esquecer”, por “lembrar”; o “não entre em pânico”, por “mantenha a calma”.

É experimentar e comprovar.

Quem aí NÃO acredita?

*Elza Galdino – Escritora, advogada, palestrante – [email protected]

 

Imagem em destaque: Open Clipart

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