A vida só se justifica quando os indivíduos fazem a diferença ao responder as oportunidades recebidas. Para isto é fundamental que o Estado ofereça as mesmas oportunidades educacionais a todos os habitantes. Estas oportunidades começam a ser delineadas na Educação! Educação de qualidade a todos é papel do Estado e, aos indivíduos, cabe aproveitar estas oportunidades.
Infelizmente os dados referentes à Educação no Brasil são muito ruins; em testes internacionais o país situa-se nas últimas colocações entre os países participantes, os alunos do ensino fundamental deveriam estar alfabetizados até o 2º ano e, em 2022 apenas 4 em 10 crianças estavam alfabetizadas, no Ensino Médio o índice de desistência em 2022 foi de 6,5% e no Ensino Superior a taxa de desistência foi superior a 50%. Não é difícil compreender porque em 13 dos 26 Estados temos mais beneficiários de Bolsa Família do que pessoas com carteira profissional assinada, totalizando 20 milhões de beneficiários do auxílio governamental.
Vez por outra tomamos conhecimento, via imprensa ou mídia social, de pessoas que vencem as barreiras colocadas pela ausência de atuação do Estado e cometem verdadeiras proezas passando em vestibulares em lugares honrosos, sendo convidados por Universidades estrangeiras conceituadas e mostrando a determinação fruto de Educação caseira com o exemplo dado por pais que sabem que só pela Educação é possível ascender socialmente e com dignidade. Mas, estes são as honrosas exceções!
Um exemplo admirável vem da Dinamarca. Nádia Nadim é seu nome; seu pai foi morto pela Talibã quando ela tinha apenas 11 anos de idade. Em função do acontecido a família fugiu do Afeganistão para a Dinamarca na carroceria de um caminhão. Na Dinamarca ela se tornou jogadora de futebol e defendeu a seleção dinamarquesa por 103 jogos, marcando 38 gols. Ao mesmo tempo em que se dedicava ao futebol cursava a faculdade de medicina e visa se tornar uma cirurgiã reconstrutiva. Nádia fala 9 idiomas e é citada pela Forbes como uma das mulheres mais influentes do futebol feminino. Poderia ser mais uma mulher a estar se queixando de sua situação ou vivendo como dependente do Estado, mas preferiu fazer a diferença.
Há muito tempo indo para São Francisco do Sul e, passando pelo canal do Linguado, vi pescadores de caranguejo em sua faina diária. Parei e fui conversar com eles. Conversa correndo e chamou-me a atenção que os caranguejos eram depositados em grandes cestos de palha sem tampas; perguntei a um dos jovens: e, eles não fogem? A resposta veio rápida: Os que estão abaixo puxam os que tentam escapar. Mais tarde associei este fato ao brasileiro não se dar bem com os que vencem na vida. Como já dizia Nelson Rodrigues é a síndrome do vira-lata em plena ação. Não só em relação ao complexo de inferioridade com o que se faz no estrangeiro, mas, principalmente, em relação aos brasileiros bem-sucedidos. Ao invés de tomá-los como exemplos, dentro da mediocridade do brasileiro comum, os criticamos, impondo-lhes defeitos inexistentes.
Difícil construir um país vencedor com a mentalidade que desenvolvemos de dependência do Estado. Vale para o empresário e para o cidadão comum. E assim continuamos a construir um país periférico!
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