Há anos já sabemos que a Inteligência Artificial (IA) é tendência no mundo e o quanto isso vem impactando o mercado de marketing.
Agora a bola da vez é o ChatGPT, que alcançou um buzz inegável desde o seu lançamento, no final do ano passado. A promessa é revolucionar a produção de materiais, mas será isso mesmo?
Em uma recente conversa com um cliente, o seu entendimento foi de que o ChatGPT acabaria com o trabalho da agência, pois agora ele seria “mais fácil”. Devolvi esse questionamento com a seguinte afirmação: “Se é simples e fácil para você, também é simples e fácil para o seu concorrente. E, em meio a um mercado altamente competitivo, o que agrega mais resultado a uma marca, em detrimento de outra?”.
Antes que você pense nas alternativas, posso dizer abertamente: estratégia, humanização e diferenciação. Não há dúvida de que as agências, assim como os profissionais de marketing, precisam atualizar-se frente às novas tecnologias. Conhecê-las, testá-las e, dentro do possível – da realidade do cliente e do know-how da agência – aplicá-las.
Em relação ao ChatGPT, e tendo vivido o mundo do marketing há mais de 20 anos, confesso: nada mudou.
Apesar das transformações que vivemos, uma coisa no marketing nunca vai mudar: marketing é feito para pessoas. As técnicas de comunicação, em especial as de publicidade e propaganda, bem como a abordagem do cliente ao público, permanecem as mesmas. No entanto, a transformação está em relação aos canais, às ferramentas e à forma de como usá-las.
Nós, profissionais de marketing, bebemos de diversas fontes para extrair ideias e desenvolver conceitos, dentro de um processo criativo e seguindo uma linha de planejamento. Acredito que o uso de ferramentas automatizadas acaba sendo mais uma possibilidade como fonte de pesquisa.
Se cada vez mais é abordada a questão do human centric, como robotizar totalmente as relações?
O marketing envolve a criação de relacionamentos mais profundos e mais significativos com os clientes, com o objetivo de gerar valor a longo prazo. Dessa forma, a tecnologia é um instrumento auxiliar e complementar à ação humana, não substitutiva. Ela, sim, traz ganhos e otimiza o tempo, pois torna mais rápida a busca de referências, gera insights e quebra o bloqueio criativo.
Mas, alto lá! Até o momento, as ferramentas de inteligência artificial apresentadas ao mercado são bastante generalistas. Isso, então, reforça a presença do fator humano para saber e validar se a informação desenvolvida está correta e, também, completa, o que irá gerar uma experiência assertiva com base na ferramenta.
Agora, acredito que temos a oportunidade de ser cada vez mais criativos, pois deixaremos a IA fazer o trabalho óbvio e repetitivo. É preciso surfar a onda, adaptar as habilidades a esse conhecimento e, na natural maturação do processo, convergir a experiência à jornada do cliente.
Beto Harger é Owner da Mega Comunicação Estratégica, a 1ª agência do sul do Brasil com operação na América do Norte. É publicitário, com mais de 20 anos de experiência, viciado em achar soluções criativas em comunicação para os negócios e ferrenho estimulador do espírito crítico.

Foto produzida por IA, a partir do programa Midjourney.
