Coluna Ozinil | O que nos reserva o futuro?
A vida mudou desde a pandemia e os efeitos se fazem sentir
A notícia que nos chega dos Estados Unidos é que existem mais de 11 milhões de vagas de trabalho em aberto e as dificuldades para encontrar interessados está enorme. Desde o evento pandêmico que atingiu o mundo e as mudanças que ocorreram no mercado de trabalho suas consequências se fazem sentir. O número de pessoas que abandonaram seus empregos, pedindo demissão, é surpreendentemente numeroso; os motivos situam-se desde empregos sem desafios, com baixos atrativos, até a perda de sentido da vida para muitas pessoas.
As vagas oferecidas, nos Estados Unidos, são as mais variadas possíveis e não encontram pessoas interessadas em ocupá-las. Há pessoas que preferem ficar sem trabalhar a ocupar empregos que, para elas, não tem significância. Importante ressaltar, no caso específico, a reação de um mercado de trabalho mais flexível e sem a burocracia e os encargos que temos no Brasil e que fazem o empregador pensar muito antes de decidir aumentar seu quadro de pessoas.
Mas, a notícia mais chocante, apesar de previsível, vem do Brasil. Pesquisa realizada pelo Semesp – Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior em São Paulo – aponta para um déficit de mais de 200 mil professores de ensino fundamental e médio até 2040. Os motivos apontados pela pesquisa vão de baixa remuneração, infraestrutura precária das escolas até a violência contra os professores. Tudo que nos habituamos a ver com naturalidade e sequer se dá muita importância, principalmente, pelos responsáveis diretos pela Educação no país.
O problema básico começa na formação. Nas licenciaturas as vagas são ofertadas e não são preenchidas; ninguém mais quer ser professor de História, Geografia, Matemática e na Pedagogia formamos um contingente respeitável a cada ano, mas com preparo muito longe do razoável. Os alunos com as piores notas no Enem são aqueles que farão Pedagogia. Em países como Singapura, Coreia do Sul, Japão, os alunos que são identificados como de alto potencial são os que serão os professores do futuro e serão recompensados com remuneração equivalente ao seu desempenho. A tal da meritocracia!
Nada tenho contra o Ensino à Distância. Entendo que é uma modalidade de ensino a ser trabalhada, principalmente, para atender as mudanças que se processam no mundo. Mas, não posso negar que, pela proliferação de empresas que se dedicam a este trabalho, houve uma transformação de um bem muito valioso para uma “commodity” em que o fundamental é o preço de aquisição. Um caderno de estudo, escrito por um professor (quase sempre mal remunerado), replicado por milhares de vezes e atendendo a milhares de estudantes, sem levar em conta suas necessidades individuais, serve de base para trabalhar uma disciplina. A evasão do EaD em algumas instituições pode chegar a 50% e os motivos vão de não atendimento a expectativas, falta de apoio e interação institucional, falta de conexão com o curso, problemas financeiros e por aí segue. Isto remete a uma séria reflexão!
Este conjunto de fatores contribui significativamente para reduzir o interesse dos jovens pela carreira de professor e as consequências já se fazem sentir. Conforme se retiram os professores mais antigos e sua substituição é feita por professores recém- formados a queda da educação acontece gradativa e inexoravelmente. Isto me faz pensar que os pais que defendem o “homescholling” estão se antecipando ao futuro. Para pensar e fazer as autoridades responsáveis agirem antes que o problema fique insuportável como só é acontecer em Terra Brasilis.
