Li com muita atenção o artigo publicado no www.acontecendoaqui.com.br sobre o endividamento dos Millennials e refleti sobre o porquê isto chegou a este ponto. Como lídimo representante da geração Baby Boomers não pude deixar de sentir-me um tanto quanto culpado pela situação. As diferenças nas condições de formação das várias gerações que se seguiram à Segunda Guerra Mundial são abissais.
A geração Baby Boomers, nascida depois de 1946, sofreu todas as consequências de um mundo em reconstrução e, na presença de valores morais muito consistentes. Assumiu a responsabilidade, desde cedo, de construir um mundo melhor, sem nenhuma das facilidades que hoje abundam na sociedade moderna. As casas eram simples e as tarefas cotidianas eram repartidas entre seus ocupantes e, cada um independente de sexo, tinha suas responsabilidades definidas e fazia sua parte. O meio de transporte era o ônibus, pois carro era artigo de luxo e para poucos; muitos dos percursos eram feitos a pé e ninguém reclamava. As roupas eram usadas até sua completa impossibilidade e, enquanto úteis, passavam de irmão a irmão, mostrando-nos que o desperdício seria inaceitável e nunca havia reclamação. Nossos pais lutavam com os recursos existentes e nunca reclamavam. O que se comprava era fruto do trabalho e da economia produzida, pois crédito não existia. Ah! Importante lembrar que, quase todas as casas, possuíam hortas e pequenos espaços para se criar galinhas. A fome não existia.
As famílias eram numerosas e não existiam “reizinhos.” Os desafios vinham de dentro das próprias famílias e o sucesso de um dos seus membros servia de repto aos demais. E, assim a vida era construída passo a passo!
Esta geração cresceu, casou e teve filhos. Ao mesmo tempo pensou “não quero que meus filhos passem por todas as dificuldades que passei.” Aproveitando-se do crescimento econômico do país e de seu crescimento individual estes pais deram todas as condições sociais para que, seus filhos, estudassem em boas escolas, aprendessem outros idiomas, usassem as roupas da moda, acessassem toda tecnologia disponível e tivessem como prioridade somente os estudos. O artigo cita que os Millennals formam a geração mais educada da história da humanidade; por que então tanta frustração e tanta dificuldade em encontrar caminhos que os conduzam ao equilíbrio social e econômico?
A geração criada sobre forte proteção e exagerados cuidados é insegura, tem dificuldades para lutar por seus objetivos, pois tudo sempre lhes foi concedido gratuitamente e, quando encontravam dificuldades, um simples gesto de jogar-se ao chão resolvia o problema. Filhos mimados e superprotegidos, que têm suas vontades atendidas a qualquer preço, não têm porque lutar. Assim se cria uma geração dependente, sem iniciativa e que nada faz para ser útil. Na esteira da educação recebida surgem os Influenciadores que mostram, aos jovens inseguros, o que fazer ou não fazer e assumem o controle sobre o que vestem, o que comem, o que fazem como lazer e vai por aí afora. Lutar por alguma coisa perdeu o sentido!
Este é o novo mundo construído debaixo dos nossos olhos e com nossa aquiescência. Com o mercado de trabalho cada vez mais seletivo e restrito, com o chamariz dos produtos tecnológicos ofertados, com a oferta de crédito abundante, o endividamento é o caminho assumido por estes jovens que esquecem as consequências ou são socorridos por seus pais. Nunca uma geração teve tanto e não sabe como utilizar-se do que lhe está sendo oferecido. Para pensar!
