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Coluna Ozinil Martins: O Papel Social dos Sebos!
20 de Setembro de 2022

Coluna Ozinil Martins: O Papel Social dos Sebos!

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 20 de Setembro de 2022 | Atualizado 20 de Setembro de 2022

Como leitor compulsivo que sou habituei-me a frequentar os Sebos das cidades onde morei. Em Porto Alegre há uma concentração de Sebos na rua Riachuelo e as visitas eram semanais. Em São Paulo, Curitiba o costume de visitar Sebos fez-me descobrir algumas obras raras e, o que é interessante, por um custo baixíssimo. Portanto, aqueles que alegam que não é possível ler porque o custo dos livros são exorbitantes, meu conselho é: visitem os Sebos.

Em Florianópolis o hábito de passear e aproveitar do ambiente proporcionado pelos Sebos continua e acentuou-se, pois estou fazendo uma releitura de obras que li em minha juventude e que, agora, com uma visão diferente de mundo, mais crítico talvez, cabe este retorno aos bons livros que ajudaram a construir o indivíduo que hoje sou. Buscar obras de José Lins do Rego, José Mauro de Vasconcelos, Érico Veríssimo, Nelson Rodrigues, José de Alencar, Guimarães Rosa, entre os autores nacionais e John K. Galbraith, Morris West, George Orwell, Júlio Cortazar, Gabriel Garcia Marques entre os estrangeiros, remete a um tempo em que a mídia não era tão, absolutamente, visual como hoje e, os livros faziam-nos exercitar a imaginação. A estória ia correndo e a cabeça montava aquilo que se lia. Isto ajudava no processo de escrever, de falar, de criar. Tempos diferentes em que a riqueza de cada um era o ser!

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Vez por outra uma surpresa agradável aparece nas surradas prateleiras da casa que chamo, carinhosamente, de “Casa do Conhecimento.” A última surpresa foi Gaia: Alerta Final; o livro escrito pelo cientista James Lovelock em 2010 é uma leitura prazerosa, mas contundente e, que nos remete a uma preocupação imensa com o futuro da humanidade. Quando escreveu o livro tinha a idade de 90 anos e veio a falecer em 26.07.2022 com a idade de 103 anos. Lovelock foi o autor junto com Lynn Margulis do conceito de Gaia, ou seja, “Uma visão da Terra, apresentada nos anos 80, que a considera um sistema autorregulador constituído pelo pela totalidade de organismos, rochas, oceanos e a atmosfera, firmemente acoplados como um sistema em evolução.” Assim a Terra seria um sistema vivo que buscaria, sempre, o equilíbrio entre seus componentes. O livro faz uma crítica severa ao abandono da energia nuclear (a mais limpa do mundo segundo o cientista) e à energia eólica, por ser de baixa produção e pelo sistema que abriga em função da não constância do vento e da quantidade absurda de cimento gastos na sua construção. Enfim, se é do contraditório que nascem as grandes ideias o livro é farto em abordar temas polêmicos e pode propiciar bons debates àqueles que se interessem pelo futuro da humanidade.

O cientista contesta frontalmente alguns dos relatórios apresentados pelos cientistas do IPCC – Painel Intergovernamental Sobre as Mudanças Climáticas – mostrando incoerências entre os dados apontados e citando os efeitos visuais que já são visíveis aos que observam o que está acontecendo no planeta. Enfim, é um bom livro a ser lido com isenção e sem preconceitos.

Concluindo, se você gosta de ler e tem pouco dinheiro os Sebos da cidade oferecem excelentes oportunidades a baixo custo; se você não gosta de ler e prefere seguir os influenciadores digitais que assim seja. As consequências serão administradas pelos próprios indivíduos. A certeza é que se colhe o que se semeia!

Para dizer que nem tudo está perdido, em minhas idas aos Sebos, tenho visto muitos jovens procurando e comprando obras que com certeza serão lidas por quem fará as diferenças que o mundo necessita.

 

Foto do topo de Pixabay.

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