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Coluna Entretenimento | Entrevista com Marilha Naccari, diretora de programação do FAM 2022
31 de Agosto de 2022

Coluna Entretenimento | Entrevista com Marilha Naccari, diretora de programação do FAM 2022

Sustentabilidade é o tema que transpassa as produções que serão exibidas na 26ª edição do evento, de 22 a 28 de setembro

Por Entretenimento 31 de Agosto de 2022 | Atualizado 31 de Agosto de 2022

A 26ª edição do Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul — FAM será de 22 a 28 de setembro e traz como tema a sustentabilidade em suas diversas interpretações, desde a social até a mais óbvia, a ambiental. O evento faz história na capital catarinense desde 1997 e, em 2022, ele recebeu 1.124 filmes inscritos, o segundo maior número de inscrições na história do FAM.

No entanto, 70 filmes foram selecionados: animação, ficção, documentários, videoclipes, curtas e longa-metragens fazem parte da seleção de filmes, sobre a qual a diretora de programação, Marilha Naccari, falou em entrevista. Além das nove Mostras Competitivas deste ano, mais cinco filmes da Mostra Rally Universitário, serão exibidos no Festival que realiza ações de exibição, formação e mercado.

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Confira a entrevista e divirta-se!

 

Crédito: Daniel Guilhamet

 

O FAM 2022 volta a ser presencial, depois de dois anos no formato on-line. Qual é o tema deste ano, que certamente acompanha esse retorno para o presencial?

Foram dois anos ininterruptos de eventos remotos, em um ambiente on-line recém-lançado, especializado em exibição de filmes com incrementos para festivais. Trabalhamos muito para termos as atividades ao vivo com maior integração dos participantes possível. Nestes dois anos, desenvolvemos, junto com a equipe, uma forma que ainda não estava implementada para essa envergadura de evento.

Estamos, como todos, na expectativa deste retorno presencial do FAM, na sala de cinema com público presente, e desenhamos esta edição pensando nesse retorno. Temos uma temática que passa por todas as nossas ações e discussões, que é a sustentabilidade. Aquela possível, que vamos descobrindo e desenvolvendo, que precisamos não só para o mundo, mas para o ecossistema do audiovisual, dos eventos e da produção cultural aqui em Florianópolis.

Essa sustentabilidade passa por três pilares básicos que é o social, o econômico e o que parece mais óbvio, ambiental. O tema agrega trabalhos anteriores, visando uma certificação para América Latina da produção audiovisual sustentável. Estes trabalhos não se esgotam na produção do produto audiovisual em si (o filme, a série etc), eles remetem à relação das pessoas com as obras e seus realizadores.

A gente pode retomar aqui a visão de antes da crise da pandemia, das pessoas indo a produções nacionais no cinema e a adesão em produções estrangeiras e em espetáculos de música. As diferenças desta relação do público pagante e a obra nacional estrangeira é gritante, em especial do nosso parque exibidor de Grande Florianópolis, e é uma construção do pensamento da valorização do profissional da cultura e do produto cultural brasileiro também.

 

Este vai ser o segundo ano do evento em uma sala de cinema, certo? Quais as vantagens e os obstáculos de estar em uma sala de cinema?

É maravilhoso estar em um local desenhado para exibir filmes com equipamentos de boa geração e uma qualidade técnica que a produção independente também merece. Às vezes, o realizador nunca vê seu filme projetado nessa qualidade técnica.

A grande dificuldade é o ambiente em que estão inseridos estes cinemas do parque exibidor comercial. São espaços em que o público frequentador não tem uma relação tão forte de formação de consumo do produto audiovisual nacional e, quando tem, só deseja o produto gratuito. É uma formação também do público em compreender o valor necessário para o consumo e, obviamente, para a produção do produto nacional também.

 

Desde a primeira edição para cá, ou seja, contando a edição de 2022, em que e como o Festival cresceu?
Em 26 anos o Festival e o audiovisual de Santa Catarina cresceram muito. Há 26 anos não existiam faculdade de cinema, as entidades de classe eram muitos jovens, não existia ainda o Sindicato dos Trabalhadores, a capilaridade estadual da produção em Santa Catarina era extremamente rarefeita, inclusive a produção de Florianópolis, que era pontual, não existiam editais de fomento regulares (continua sendo uma luta de classe essa regularidade), mas enquanto festival, a gente já se modificou, se reinventou 26 vezes em tamanho, em tempo de duração, em mostras competitivas.

Hoje nós temos nove mostras competitivas, esse ano temos no nosso especial Lei Aldir Blanc, pelo contexto que estamos vivendo. O FAM é um festival que está sempre olhando para essas transformações, para as demandas de público e de produção, para recriar, dentro da possibilidade, do que faz sentido. Assim, podemos absorver novas perspectivas de diálogo com os realizadores, com o mercado e com o público.

Em todo esse tempo, passamos por mais de cinco espaços de exibição, fomos acolhidos por diversas entidades, desde ações da Unesco, do fundo europeu para atividades fora da Europa, programas da RECAM, e continuamos lutando pela acolhida da municipalidade de Florianópolis para este festival que leva o nome da cidade para toda a América do Sul e América Latina, além de fundos europeus, que também a cidade possa acolher essa atividade, assim como tantas outras que tentam recriar esta riqueza de trajetória e aqui [no FAM], nós já temos estabelecido.

 

Como o festival está dividido? 

São três eventos dentro de um: agora em 2022 voltamos ao Cine Show com as nossas salas de cinema, e ao Majestic com o evento de mercado, o Encontro de Coprodução Mercosul, além da nossa formação universitária com o Rally Universitário.

 

Existe uma parte mais importante do evento? Por quê?

Bom, acredito que a exibição de filmes é o que unifica todas as nossas ações, a relação de exibição da produção audiovisual latino-americana, sul-americana com nossa formação de público interno, mas também com a exibição para pessoas influentes da América do Sul propagarem essas obras em outros lugares. A partir do FAM, o filme é conhecido e repercute em uma rede na América do Sul.

O evento de mercado tem fortalecido essa relação de rede, de intercâmbio e de prospecção de novos projetos, como também fortalece a ideia muito cultivada e recém transformada em lei que nós assinamos enquanto Panvision, há quatro anos, a criação da Film Commission.

Temos nomes importantes do ecossistema do audiovisual vindo ao evento de mercado, o ECM, que já tem seis anos e traz pessoas para que existam outras produções aqui, que podem enxergar Florianópolis como cenário e parque de produção. A nossa formação é o que leva o espírito do Festival, de grupo, de coprodução desde a universidade, de integração, de superar as barreiras linguísticas, econômicas, dos perrengues da produção independente quando 30 estudantes da América do Sul fazem um filme em 100 horas, no Rally Universitário.

Esse ano nós temos estudantes do Equador, Bolívia, Paraguai, Colômbia e de quatro ou cinco estados do Brasil, para essa maratona de produção, em que cinco equipes fazem um filme cada uma, ao final do evento temos cinco novas produções realizadas aqui em Florianópolis, durante o festival, e que também circulam o mundo.

Essa resistência, e aperfeiçoamento é o espírito do Festival. Estes estudantes são acompanhados de profissionais internacionais importantíssimos levando a qualidade da produção e essa integração para toda uma trajetória profissional.

 

Faltando pouco mais de 20 dias para o FAM 2022, qual a expectativa da organização em relação a público, neste ano?

Boa parte da nossa sala vai estar reservada aos convidados e participantes do FAM, aqueles que têm suas obras nas nove mostras competitivas, nosso corpo de jurados, os profissionais de mercado que estarão aqui para o Encontro de Coprodução do Mercosul, palestrantes, o público do evento parceiro, BrLab, que se faz presente no cinema e também teremos venda de ingressos pelo site e na bilheteria do cinema, distribuição de ingressos para o público de baixa renda e reservas de ingressos pelas nossas redes sociais.

Ainda é uma surpresa a expectativa de público, de buscar diversificar ao máximo as possibilidades desse público, a popularidade dele. Obviamente desejamos ver a sala lotada, nos dando mais sentido de continuação desse projeto em que as pessoas reconhecem o valor da sua produção e de si mesmas em tela.

 

Vocês já podem falar se algum profissional mais famoso do audiovisual virá ao evento? Se sim, quem?

Temos realizadores confirmados, que inclusive já passaram pelo FAM, outros estreantes, atrizes e atores, e temos uma sessão muito especial este ano, que acontecerá todos os dias a partir de sexta-feira (23/09), que é o Conversas FAM de Cinema, para que a gente volte a conversar sobre cinema. Após uma exibição a Adriana Gomes fará a mediação do diálogo com o público, porque a gente tem que continuar pensando coletivamente o que nós assistimos e o que nós vivemos dentro e fora da tela.

 

O que o público pode esperar da programação de cinema para o FAM 2022?

Toda nossa dedicação, paixão e vontade de estar junto com eles e com os realizadores, para fortalecer ainda mais o Festival. Precisamos de público presente, as doações contínuas seguem abertas no nosso site, para quem pode apoiar financeiramente o festival, para que a Associação Cultural Panvision siga realizando estas e outras ações.

 

Envie sugestões de entrevista para: [email protected].

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