Um projeto que surgiu, há dois anos, de forma independente e que, além de divertir crianças de todas as idades, tem o objetivo de transmitir a cultura da Ilha de Santa Catarina para diferentes lugares do Brasil e do mundo. O ilustrador Bruno Pagani, cocriador do Meu Boizinho, ao lado de Thiago de Melo, concedeu entrevista para a coluna e falou do lançamento da nova temporada de clipes animados, a começar pela cantiga do Doutor e do Urubu, o primeiro de uma série de cinco clipes que completam a cantoria do Boi de Mamão.
De acordo com Bruno, a ideia é lançar um clipe por mês até o fim do ano. O lançamento, feito nessa semana, foi uma homenagem à data 20/08, Dia Municipal do Boi de Mamão, e 22/08, Dia do Folclore e dia em que o Boi de Mamão foi declarado patrimônio imaterial de Florianópolis.
Confira a entrevista!
Como surgiu a ideia do Meu Boizinho?
O Meu Boizinho nasceu de uma demanda familiar. Sou manezinho, meus filhos também. Meu filho Theo quando tinha 4 anos adorava ver as apresentações do Boi de Mamão, e quando chegava em casa queria assistir na TV. Mas, só tinha gravações caseiras. Foi aí que surgiu a ideia de aliar o desejo do meu filho com o meu trabalho de ilustração. Junto com o meu sócio Thiago de Melo criamos os personagens inspirados no folclore do Boi de Mamão e nas tradições da ilha de Santa Catarina, como a bruxinha, o filho de pescador, a benzedeira, tudo com uma roupagem mais moderna, com a qual as crianças estão mais acostumadas.
O projeto mudou desde que foi concebido?
O projeto surgiu como uma ideia e, efetivamente, saiu do papel quando participamos do CoCreation Lab, uma pré-incubadora de Florianópolis. Durante esse período fizemos o pré-lançamento do nosso primeiro livro O Sumiço da Tainha de Ouro, o que serviu de teste para medirmos a recepção. Com isso, ganhamos maturidade e o projeto foi amadurecendo com a necessidade de atendermos demandas que surgiam, como o lançamento de diferentes linhas de produtos, inclusive a festa infantil do Meu Boizinho.
Outro ponto de destaque é que ele nasceu como um projeto de entretenimento e com o passar do tempo também se tornou educativo, já que muitas escolas buscam os nossos materiais como apoio para trabalhar o folclore da nossa região em sala de aula. Nosso livro, que percorre todas as regiões de Florianópolis, também foi adotado por escolas como material didático.
Qual é a grande razão de o projeto existir?
O Meu Boizinho busca cultivar nas crianças o amor e o orgulho pelos costumes e pelas tradições de Florianópolis e da região litorânea. Queremos conectar as crianças e os adultos ainda mais com a tradição e os costumes da cidade onde vivem. Acreditamos que uma pessoa que valoriza a cultura do seu lugar adquire um sentimento maior de pertencimento. E nada melhor que fazer isso por meio do resgate de um folclore tão popular como o boi de mamão.
Como vocês conseguiram viabilizar o Meu Boizinho?
O projeto existe há 2 anos, já temos alguns vídeos no nosso canal do YouTube, elaboramos muito conteúdo nas redes sociais, e tudo foi feito de maneira independente. Este ano, conseguimos apoio por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Grupo DVA e da Da Magrinha. Ter empresas que veem a importância de apoiar projetos culturais locais é extremamente relevante para movimentar o setor. É um privilégio ter o incentivo dessas grandes empresas, pois desta forma conseguimos viabilizar a entrega de mais conteúdo em um curto espaço de tempo. Esse incentivo possibilitou uma nova temporada de clipes animados e a publicação da segunda edição do livro infantil O Sumiço da Tainha de Ouro e, consequentemente, a doação de cerca de 600 exemplares para entidades sem fins lucrativos.
Quais foram os retornos de público que vocês já tiveram?
Temos diariamente retornos positivos. Tem pais manezinhos que moram fora e que agora tem a oportunidade de apresentar para seus filhos a sua cultura. Temos muito retorno de escolas, de diferentes partes do Brasil, que estão utilizando nossos clipes em sala de aula para apresentar a cultura do Boi de Mamão. Este mês, por exemplo, nosso material foi utilizado para formação dos professores coordenadores do 58º Festival do Folclore, um dos maiores encontros da cultura brasileira que reuniu cerca de 50 grupos folclóricos e parafolclóricos de norte a sul do país.
Hoje a internet nos possibilita expandir as fronteiras mais facilmente. Já recebemos alguns bons feedbacks sobre nosso projeto pelas redes sociais de vários locais fora de Floripa. Inclusive, o nosso segundo livro que já está em fase de produção, vai ser uma super aventura da nossa turminha pelo estado de Santa Catarina!
Mas, o que nos deixa mais felizes é ver as crianças dançando com os nossos clipes, lendo nosso livro ou interagindo com nossos produtos. É muito gratificante ver o encantamento delas pelos nossos personagens. Isso mostra que estamos no caminho certo nessa disseminação da nossa cultura.
Como foi o processo de concepção visual e dos personagens do Meu Boizinho?
Nosso estúdio, a Cardápio Cartoon, ano que vem completa 20 anos de existência. São muitos anos trabalhando e se dedicando profissionalmente à ilustração. Para a criação usamos toda nossa experiência de anos atuando no mercado publicitário e editorial, criando personagens, cartilhas, gibis para diversos clientes. O Meu Boizinho é nosso primeiro projeto autoral que decidimos tirar da gaveta e pra nossa felicidade está dando muito certo!
E tem alguma novidade que vocês já podem adiantar?
Queremos levar a cultura para todas as crianças, por isso, todos os clipes dessa nova temporada terão uma versão com acessibilidade por meio de libras e audiodescrição.
Na visão de vocês, qual é a importância de reafirmar a cultura ilhéu?
Vivemos num mundo muito globalizado hoje, isso é ótimo. A criança pode acessar o mundo na palma da mão por meio de um celular. Porém, aspectos importantes da nossa cultura acabam perdendo força e sendo deixados de lado. Temos uma cultura tão linda, tão rica e está aqui tão pertinho da gente. O Meu Boizinho acredita que uma criança que aprende desde pequena a conhecer e respeitar sua cultura e do seu povo, vai aprender a valorizá-la e perpetuá-la no futuro.
Meu Boizinho é da criança, do papai, da mamãe, da professora, de todo mundo, pra todo mundo! Se você celebra e valoriza a nossa rica e linda cultura, não deixe de conhecer nosso projeto, nossa turminha e nos seguir nas redes sociais! Temos certeza que você vai adorar!
Beba poesia
Ainda sobre a cultura da ilha de Santa Catarina, vale conferir o lançamento do livro “Beba poesia – volume III”, do escritor e jornalista Claudio Schuster. O evento será amanhã (24), no Araçá Botequim, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, com direito a show com participações de Marcoliva, Alexandre Damaria e Cris Ferreira. Acompanhe toda a programação pelo @claudioschuster.
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