Certamente, você já ouviu por aí que hoje em dia os sites têm que ser responsivos. E se você é do mercado comunicação digital, já deve saber que é necessário que os produtos digitais (e não somente os sites) estejam preparados para proporcionar experiências semelhantes para quem os utiliza em diversas resoluções de tela, seja em navegadores de computadores de mesa, notebooks, tablets, smartphones ou outros consoles.
E mais, além de ser adaptável aos tamanhos de tela que existem por aí, é ainda mais importante considerar que a forma de utilização de um produto digital, seja ele um site, um aplicativo ou um jogo, é diferente de dispositivo para dispositivo. E isso envolve a atmosfera em volta de quem usa, a forma de selecionar botões, de ler textos, se é possível usar recursos e sensores de áudio, vídeo, geolocalização, ou, ainda, se há ou não conexão com internet, além de vários outros fatores.
Seria então a tal da responsividade mais uma nova moda? Não é.
Essa sensação de modismos se dá porque estamos em meio a uma revolução digital e, como consequência, estamos conhecendo uma profusão de novas tecnologias e convenções de uso a todo instante e precisamos nos adaptar constantemente. Quando analisamos alguns dados, fica mais fácil entender a razão para esta regra estar tão em voga hoje.
A começar pela comercialização dos tipos de dispositivos que usam esses produtos digitais. Desde 2011, no mundo são vendidos mais smartphones que PCs. Os tablets superaram essa marca no início de 2014, de acordo com pesquisa da Morgan Stanley. O crescimento desses dois grupos de aparelhos é muito maior, historicamente comparando, que qualquer tipo de computador pessoal.
E, em paralelo ao aumento da venda de dispositivos móveis, está o crescimento do uso de suas plataformas. Em maio de 2013 (agora com dados do StatCounter, vide gráfico abaixo), esse percentual correspondia a 14% de toda a navegação global. No mesmo mês, em 2014, já chegava a 25% e é possível projetar uma inversão da maioria antes do final de 2015.
Toda essa tendência fez surgir uma nova forma de se pensar a criação para além da responsividade: é o que chamamos de mobile first.
Esse é um processo de concepção e desenvolvimento que, como uma rápida tradução do nome diz, pensa-se primeiro no uso do produto digital em plataformas móveis, para depois aplicá-lo em desktops e notebooks. Não é apenas uma questão de se criar telas menores e mais estreitas, mas pensar em toda a usabilidade e acessibilidade do produto orientada à utilidade do sistema, considerando tanto os recursos que podem ser utilizados, quanto suas limitações.
Na prática, criamos de duas ou três variações do produto, ou até mesmo criamos dois ou três produtos complementares para atender à necessidade daquele projeto, explorando o melhor uso nas diferentes formas de interação que existem hoje. Nosso trabalho aumentou, assim como as possibilidades de se criar uma experiência que vá melhorar um pouquinho que seja o dia a dia que quem usar aquele tal produto digital.
No final das contas, o que vale é uma das mais velhas regras do design: ponha-se no lugar de quem vai usar o que você está criando. Assim, você irá entender o que é mais importante, o que atrapalha, o que facilita, o que encanta e o que não é relevante.

