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Coluna Ozinil Martins | O retrocesso na educação brasileira tem suas causas!
30 de Março de 2022

Coluna Ozinil Martins | O retrocesso na educação brasileira tem suas causas!

Os exemplos com que convivemos nos tempos atuais mostram, claramente, as deficiências do ensino no país

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 30 de Março de 2022 | Atualizado 30 de Março de 2022

O que antes era uma suspeita, com indícios marcantes de verdade, torna-se um fato diante da divulgação de dados pelo OurWorldinData.org.intelligence. Pesquisando o crescimento do Quociente de Inteligência (QI) nos países do mundo constatou-se que o crescimento, nos últimos 100 anos, foi uma constante. Na Alemanha e Estados Unidos o crescimento foi, em média, de 30 pontos, na vizinha Argentina foi de 25 pontos e, mesmo em países africanos, como o Sudão, foi de 12 pontos. A surpresa ficou por conta do Brasil onde os dados apontam para uma regressão de 10 pontos, com um QI médio de 87 pontos, que beira a fronteira de deficiência intelectual. Estes são dados concretos!

Lembro-me que quando o Ministro da Educação era o Sr. Cid Gomes, no Enem de 2015, 500 mil alunos de 6 milhões que realizaram a prova, zeraram a redação, isto é, não escreveram “coisa com coisa.” O Sr. Ministro, tentando justificar o injustificável, alegou que o tema foi muito difícil. Esqueceu-se o Ministro de que um jovem razoavelmente formado, com capacidade de raciocínio desenvolvido, é capaz de abordar qualquer tema da atualidade. O que ocorre é que o nível do ensino em nosso país é caótico. Estamos produzindo, em série, analfabetos funcionais com diplomas, inclusive de curso superior, comprometendo seriamente, o desenvolvimento social, cultural e econômico do país. Não existe país desenvolvido com Educação de péssima qualidade! Quando cometemos horrores contra o idioma pátrio estamos contribuindo para o atraso do país.

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Os exemplos com que convivemos nos tempos atuais mostram, claramente, as deficiências do ensino no país. A música produzida de péssima qualidade, o baixo nível dos programas nas televisões abertas, os erros de português em outdoors e nas comunicações da imprensa, a apelação para o humor chulo, que é mais fácil de ser entendido pelo povo menos letrado. E, quando falo letrado não estou elogiando ninguém, estou afirmando que é papel da escola, segundo a constituição, ofertar as condições para que o brasileiro leia, entenda o que leu e saiba fazer contas. Simples assim!

Quando adotamos o gerundismo, fruto da tradução indevida do inglês, em nossos centros de atendimentos, estamos contribuindo para empobrecer o idioma, que é hoje o único elemento de ligação nesse país imenso. Quando criamos expressões que se preocupam em especificar gênero – boa noite a todos e a todas – estamos contribuindo para a perda da essência do idioma.

A eclosão recente de casos de violência em escolas brasileiras, públicas e privadas, reflete o desinteresse dos jovens por aquilo que entendem nada lhes acrescenta. Na Paraíba, um pai ao retirar o telefone celular do filho de 13 anos, que não queria mais estudar, viu sua família ser destruída; o garoto revoltado, apossou da arma de seu pai (policial aposentado) e matou a mãe e seu irmão mais novo, ferindo gravemente seu pai. Em cidade satélite de Brasília uma professora foi ameaçada de morte, com arma colocada em sua cabeça, por ter ousado chamar a atenção de seus alunos e, alguns pais nas gostaram da forma como fez isto. A professora está afastada das atividades. Em várias cidades as escolas transformaram-se em ringues de lutas abertas. Se isto não é o retorno à barbárie e a forma primitiva de resolução de problemas ligados ao baixo QI…

Se formos medir a importância que os governos dão à educação em função da troca de ministros da pasta veremos que os últimos ministros a permanecerem mais tempo nos cargos foram o Sr. Paulo Renato da Silva (FHC) e Cristovam Buarque (Lula), nos demais governos os ministros foram ocupantes temporários.
Há um episódio extremamente sugestivo da prioridade com que é encarada a educação pelos nossos governantes. Quando foi estabelecido o piso nacional da categoria dos professores o Ministro era o Sr. Tarso Genro; que, em seguida veio a ser o Governador do RS e, entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a aplicação do piso salarial no estado em que exercia o governo. Quando o próprio governo questiona suas próprias leis fica fácil entender porque o nível da educação no Brasil só regride.

Somente pela Educação conseguiremos construir um país socialmente mais justo. Oferecendo as mesmas oportunidades a todos, a diferença será a maneira como essas pessoas farão a posse do que lhes é oferecido. Aí a resposta será de cada um e a sociedade terá feito sua parte.

 

Foto do topo: Pixabay

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