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Banco Central americano começa o processo de alta de juros
22 de Março de 2022

Banco Central americano começa o processo de alta de juros

O que fazer para se proteger nesse momento?

Por Eduardo Boechat 22 de Março de 2022 | Atualizado 22 de Março de 2022

E aí, pessoal? Gostaria de fazer algumas considerações com relação ao processo iminente de aumento de taxas de juros nos EUA. Abaixo segue o gráfico dos fed funds rates, ou, trocando em miúdos, a taxa de juros americana de curto prazo.

 

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Praticamente todas as vezes que os juros sobem por lá, temos alguma crise importante em países emergentes. Vamos analisar a partir da década de 70, onde tivemos dois grandes choques nos preços do petróleo, que provocaram alta da inflação e consequente resposta do Banco Central americano. Isso desaguou na crise das dívidas e pedidos de moratória de vários países no início dos anos 80. Especificamente no caso brasileiro, declaramos que não tínhamos como pagar nossas dívidas em dólar em 1982 e 1987, dois momentos em que os EUA subiram juros.

Já na primeira parte da década de 1990, também tivemos um processo de alta de juros americanos que culminaram com uma sequência de países indo à bancarrota. México em 1995, crise da Ásia e Rússia em 1997 e 1998 e Argentina em 2001. Nós sofremos, e bastante, nesse período, com vários pacotes de ajuda do FMI sendo necessários.

Com o 11/Setembro, os juros americanos foram para patamares muito baixos, o que nos ajudou no início dos anos PT. Tivemos anos de crescimento puxados também pelo boom das commodities, provocado pela China. Porém, novamente, o aumento das taxas de juros, na segunda metade da década de 2000, acabou por ser um fator preponderante na crise das hipotecas americanas em 2008, que arrastou para o fundo do poço toda a economia global. Com isso, os bancos centrais dos países mais ricos derrubaram as taxas para valores próximos de zero. O mundo voltou a crescer, porém dessa vez nós não acompanhamos, devido, principalmente, a exaustão do modelo econômico petista. Um novo processo de alta de taxas de juros havia se iniciado no fim dos anos 2010. Porém, abortado pela pandemia, que novamente jogou as taxas de juros para próximo de zero.

E agora? Agora iniciamos mais uma jornada de aumento de juros nos EUA. Temos várias diferenças econômicas no mundo no atual momento, quando comparado com o mundo nos anos 70 a 90. Principalmente com a diminuição da influência dos americanos no PIB mundial. Sob a nossa ótica, o Brasil também parece mais forte nesse momento, com reservas cambiais mais altas. Nossa economia está muito mais ligada a China, novo motor de propulsão da economia mundial, por conta das commodities. Mesmo colocando tudo isso na balança, na minha opinião, o balanço de riscos ainda está muito alto. A história mostra isso.
Para o investidor médio, em ano de eleições gerais no Brasil e de alta de juros tanto aqui quanto nos EUA, penso ser mais prudente procurar ativos de renda fixa e esperar. Essa estratégia, mais conservadora, protegerá o capital do investidor e ainda gerará bons retornos ao longo do ano. Outra classe de ativos que pode se beneficiar são os fundos multimercados, já que tem a habilidade de estar posicionado em múltiplos ativos.
Para o governo, seria prudente aproveitar os melhores resultados das contas públicas, que foram provocados pelo aumento da inflação, e poupar dinheiro. Produzir superávits e escapar da tentação de aumentar gastos, com medidas populistas. Para depois não ficarmos sem esse colchão, que será tão importante logo ali na frente.

O mundo é dinâmico. Temos fatos novos todas as semanas. Deixo o convite para vocês assistirem ao meu programa semanal no YouTube da Activ Trades Português. O programa se chama “Markets Warm Up”, onde faço literalmente um aquecimento para a semana, todas as segundas, ao vivo, às 08 da manhã. Temos, inclusive, espaço aberto a perguntas. Deixem comentários, perguntas, sugestões. Vamos fazer juntos um espaço em que possamos discutir idéias e alternativas para o Brasil, além de comentar operações que possam ser lucrativas.

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