Durante os anos 90 do século passado começou um movimento mundial que se convencionou chamar de Globalização. Estabelecer entre todos os países um sistema de comércio que aproveitasse o que cada um tinha de melhor, originando produtos mais baratos e acessíveis às populações dos diferentes países. A transferência de dinheiro e tecnologia a países até então inexpressivos na economia mundial transformou-a de forma expressiva. A China, país mais populoso do mundo, foi a grande beneficiada em todo este processo e transformou-se na fábrica do mundo.
Transferir para a China a produção de indústrias do mundo significou transformar a China na segunda maior economia do mundo, ultrapassando Japão e Alemanha. Com oferta de mão de obra e baixo custo de produção a China viu o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) crescer a dois dígitos a cada ano que passava. Nas últimas três décadas o crescimento do PIB chinês aproximou-se, em média, de 10% ao ano. As maiores empresas do mundo transferiram suas produções para território chinês baseadas em tecnologias modernas além de grande aporte de capital.
Restou à China inundar o mundo com produtos, no início de qualidade duvidosa e, atualmente, com o dinheiro acumulado neste período de 30 anos (mais de 3 trilhões de dólares em reservas cambiais) atuar como comprador de empresas estratégicas ao redor do mundo e da produção agrícola de países inteiros, como acontece particularmente na África (estima-se que dos 47 países da África Subsaariana, 35 estejam com projetos agrícolas da China, com aproximadamente 408.001 ha com diversos tipos de produção agrícola, (Koeleman, 2014; Landmatrix, 2018). Sua influência mundial é um fato! Ao mesmo tempo em que isto ocorria, a China, em áreas geográficas internas, previamente escolhidas, investia pesadamente em educação. Só para sua análise, caro leitor, a China forma 650 mil engenheiros por ano enquanto o Brasil forma 40 mil; ao mesmo tempo a China tem 500 mil estudantes em universidades no exterior (dados de 2014) e começou a enviar estudantes para o ensino médio nos EUA. Penso que isto explica o desenvolvimento tecnológico acelerado da China nos últimos anos.
Em 2020 o mundo descobre, através da pandemia, que grande parte dos países do mundo havia transferido para a China o gerenciamento de áreas estratégicas. Precisam de máscaras? A China tem os maiores estoques! Precisam de respiradores? A China os tem em estoques! Precisam de aventais para o pessoal de saúde? Busca na China! O preço? A China que estabelece!
Em seguida a guerra Rússia x Ucrânia escancara a dependência brasileira dos fertilizantes russos e bielorussos, além da dependência dos europeus do petróleo e gás russo. Sem considerar a dependência mundial pelos grãos produzidos na Ucrânia e Rússia (grandes produtores de trigo, girassol, cevada, entre outros). A Globalização parece ter esquecido que a natureza belicosa dos humanos, em algum momento da trajetória, ressurgiria.
É óbvio, que exigir visão estratégica de governantes brasileiros é um exagero; preocupados que estão com outros problemas, tais como eleições, manutenção de suas sinecuras, alianças (aí, sim, estratégicas), os problemas do país ficam em segundo plano. Mas, um país que alimenta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não pode depender em 90% do fornecimento de fertilizantes, bem como não pode entregar nas mãos da China e Índia a saúde de sua população. 90% dos insumos para a produção de remédios, no Brasil, vêm destes países.
O que já produzíamos antes (remédios) e o que poderíamos estar produzindo em função das reservas minerais existentes se perdeu no tempo em função da Globalização. Chegou a hora de rever a dependência do país em áreas sensíveis; basta para isto rever o custo Brasil, estimular a industrialização do país, além de buscar formas alternativas ao petróleo. A redução de impostos se faz imperiosa, assim como a redução que incide sobre o custo trabalho. Tornar o país mais leve em termos tributários, mais ágil no atendimento às necessidades da população e fortalecer o mercado interno parece o caminho necessário a ser trilhado. Hora de acordar e rever prioridades!
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