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Coluna Ozinil Martins | Quem está educando seu filho?
23 de Fevereiro de 2022

Coluna Ozinil Martins | Quem está educando seu filho?

Nos tempos atuais, com todas às facilidades disponíveis, ficou mais difícil educar as crianças

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 23 de Fevereiro de 2022 | Atualizado 23 de Fevereiro de 2022

Há muito tempo, em um dos muitos cursos que fiz ao longo da vida profissional, o facilitador da atividade fez uma colocação que provocou um bom debate entre os participantes; disse ele: “nas sociedades primitivas, um filho ao olhar para o pai tinha certeza, que no futuro, seria muito parecido ou mesmo igual ao homem que o criava.” O exemplo citado foi dos aborígenes australianos que até hoje mantém suas tradições intocadas. Então, fez a pergunta que desencadeou o debate: “e, hoje, quais são os influenciadores das nossas crianças?” Este curso aconteceu no final dos anos 80 do século passado e proporcionou um debate acirrado.

Entre algumas das profundas mudanças sociais acontecidas nos últimos 70 anos a entrada da mulher no mercado de trabalho, que representou sua independência econômica, financeira e social foi uma das mais profundas e, afetou de maneira inconteste a organização familiar (esta é uma constatação, não opinião). Em 2019, segundo o IBGE, 54,5% das mulheres, entre 15 a 70 anos, compunham a força de trabalho do país. Com os pais trabalhando, com os avôs amparados por programas sociais e sem a visão da complementariedade existente até um passado recente, as crianças são, com meses de nascidos, entregues aos cuidados de instituições públicas ou privadas, que se responsabilizam pela sua guarda e desenvolvimento.

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Primeiro são as creches atuando na educação infantil, depois vem o fundamental e por fim o ensino médio. Como pai e mãe trabalham em tempo integral e, a obrigação legal dos municípios é ofertar vagas de 4 h diárias para crianças de até 6 anos, alternativas são criadas para suplementar a necessidade dos pais. Estas alternativas, às vezes precárias, não oferecem a qualidade que é exigida das escolas oficiais e muitas vezes são clandestinas. Ao chegar ao ensino fundamental as crianças, efetivamente, estudam em meio período, mas seus pais continuam a trabalhar em período integral. Novamente o contra turno escolar passa a ser uma necessidade e as alternativas, nem sempre disponível, são as possíveis. Os jovens que cursam o ensino médio, a partir de 2022, passarão por mudanças fundamentais que mexem com carga horária e o currículo das disciplinas. Vamos esperar para ver o que acontece.

A verdade é que, durante todo o período escolar, as crianças são adotadas por “pais alternativos.” Estes podem ser as redes de televisões, influenciadores digitais (tipo Felipe Neto), vizinhos ou cuidadores eventuais ou os membros com mais idade da própria família. Nada garante que os valores morais dos pais estejam sendo transferidos aos filhos, pois as influências são muitas e as mais desencontradas possíveis. Importante salientar que na educação infantil a lei proíbe a permanência da criança por período superior à 10h, pois (explicitamente citado na lei) a criança precisa de convivência familiar. Mas, tem pais, que se fosse possível, manteriam as crianças nas creches, inclusive, aos sábados e domingos.

Este é um quadro que se repete em cada município brasileiro. A educação foi terceirizada e, da pior maneira possível. Hoje, tomo a liberdade de perguntar aos pais que me prestigiam com a leitura da coluna: você sabe quais são os maiores influenciadores dos seus filhos? Você conhece quais valores estão sendo trabalhado em sala de aula? Você conhece os professores de seus filhos? Você participa da vida escolar de seus filhos? Você frequenta a escola em que seu filho estuda? Você vai às reuniões de pais e professores?

Nos tempos atuais, com todas às facilidades disponíveis, ficou mais difícil educar as crianças porque somos mais complacentes, somos permissivos, não queremos nos incomodar e ao mesmo tempo, os meninos e meninas, estão expostos aos aproveitadores que trabalham no vácuo deixado pelos pais. Os filhos exigem atenção e imposição de limites. Hora de refletir sobre o papel de ser pai ou mãe!

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