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Coluna Ozinil Martins | Um desastre em gestação!
09 de Fevereiro de 2022

Coluna Ozinil Martins | Um desastre em gestação!

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 09 de Fevereiro de 2022 | Atualizado 09 de Fevereiro de 2022

O que os especialistas estavam vaticinando, aconteceu! A pandemia que fechou as escolas trouxe com ela o atraso na educação. Os especialistas estavam prevendo que o afastamento das crianças das escolas traria prejuízos irreparáveis. O óbvio estava escrachado nas diferenças sociais e na demora de reação dos governos em suprir as necessidades surgidas. A desigualdade social permitiu que alunos, filhos de famílias esclarecidas e com algum recurso, continuassem a estudar mesmo que com algumas precariedades; pais complementaram os professores que, à distância e sem treinamento adequado para o ensino virtual, cumpriram um papel fundamental com os pequenos estudantes; já nas famílias sem acesso aos recursos tecnológicos e com pais sem nenhuma formação educacional adequada, as crianças ficaram órfãs da educação.

O resultado divulgado ontem (08.02.2022) pela Ong – Todos Pela Educação – (baseada em dados do PNAD e IBGE) traz a informação que crianças que já deveriam estar alfabetizadas, não o estão e pior, o número de crianças nesta condição havia tido um acréscimo percentual de 66%. Em 2019 (pré-pandemia) eram 1.4 milhão de crianças sem saber ler e escrever; em 2021 este número havia saltado para 2.4 milhões de crianças, o que representa 40,8% de todas as crianças do país que não sabem ler e escrever.

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O prejuízo é incalculável porque ele não se esgota por aí. O atraso nos anos subsequentes se fará sentir até chegar aos cursos superiores. O que não foi aprendido no período adequado exigirá um esforço redobrado das instituições, dos pais e professores e dos próprios estudantes. Será que estaremos preparados para enfrentar estes desafios?
Quem já lecionou no ensino superior sabe que a maioria dos estudantes universitários têm dificuldades com a língua portuguesa e matemática. No início de cada semestre há instituições que ofertam cursos de matemática básica e português para que os professores das disciplinas do curso não tenham que perder tempo ensinando o que já deveria ter sido aprendido. Esta lógica perversa é que norteia a formação nos tempos atuais. Não é atoa que bacharéis em Direito, quando expostos ao exame da OAB, sejam reprovados em massa; que médicos recém-formados cometam os erros que acompanhamos em reportagens de telejornais; que desmoronem prédios e viadutos em construção. Tudo consequência de uma má formação inicial!

Outro ponto a ser fortemente considerado é a formação dos professores do ensino fundamental. Hoje, esta formação é quase totalmente feita pelo ensino à distância. Importante ressaltar que nada tenho contra esta modalidade de ensino, mas é evidente a precarização que existe na formação destes professores. Teoricamente têm acesso a todos os autores que formam a base da conceituação do curso, mas falta a prática, a vivência, a exposição real junto a estudantes reais. Com o novo piso salarial dos professores milhares de pessoas farão o curso de pedagogia, que já formou mais de 100 mil bacharéis/ano, sem ter o fundamental para a profissão que é a vocação. Importante lembrar que o maior empregador de professores são os governos municipais que, em sua maioria, usam artifícios para não efetivar estes professores, como os ACT’s que, a cada ano, têm que se sujeitar a concursos para, se aprovados, voltar a lecionar. O óbvio é que não haverá emprego para todos!

Importante lembrar o que já dizia Rubem Alves (maior educador que este país já teve) “professor não é profissão, é vocação!”

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