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Coluna Ozinil Martins | Estão roubando seu futuro!
12 de Fevereiro de 2022

Coluna Ozinil Martins | Estão roubando seu futuro!

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 12 de Fevereiro de 2022 | Atualizado 01 de Março de 2022

Na semana passada a Transparência Internacional divulgou seu Índice de Percepção da Corrupção; neste ranking o Brasil ocupa a 96ª posição entre 177 países. No ano de 2021 o quadro piorou em duas posições. O problema do brasileiro é que já não nos indignamos mais com notícias referentes a desvio de dinheiro público, de obras superfaturadas, da extrapolação em orçamentos, de obras suntuosas para abrigar órgãos estatais inoperantes, do gasto excessivo em viagens e dos nababescos salários de ocupantes de cargos públicos nos altos escalões. A passividade do povo ante tudo que acontece parece nos condenar a um futuro triste.

Mas, o que incomoda aos que percebem a realidade, é a destruição do futuro das gerações por vir; não nos percebemos de que, cada ato feito e que gere desperdício, representa estelionato contra as gerações que ainda virão. Quantas milhares de obras, iniciadas e não concluídas existem no país, que consumiram dinheiro público e que hoje não têm serventia nenhuma? Em 2019 o Tribunal de Contas da União fez o diagnóstico de 30 mil obras em andamento e identificou que 30% estavam paralisadas ou inacabadas; são 9 mil obras em que o dinheiro público foi gasto inescrupulosamente. Nestas obras encontram-se rodovias, creches, hospitais, postos de saúde que, certamente, trariam benefício ao povo se concluídas fossem.

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Para entender melhor como funciona a corrupção no país é importante analisar o caso da sede da Petrobras em Vitória – ES. O prédio da estatal orçado inicialmente em 800 milhões de reais quando entregue o valor final chegou a 1.800 bilhão de reais. Mas, o pior é que o prédio foi construído em terreno alugado da Escola Superior de Ciência da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam) e o aluguel, segundo contrato, corresponde a 10,24% do valor do terreno/ano. Este valor começou com aluguel de 2,8 milhões/ano e em 2016 chegou a 11,8 milhões. O contrato tem validade por 45 anos e foi estabelecido em 2003. O Tribunal de Contas da União está investigando o caso. A pergunta que não pode deixar de ser feita: Você construiria uma casa em um terreno alugado e pagaria aluguel pelo uso do terreno? O que leva o gestor público a agir desta forma com o dinheiro resultado de impostos muitas vezes escorchantes?

Também não pode ser esquecido o petroleiro João Cândido. Navio que deu início a retomada da indústria naval brasileira e trouxe orgulho ao país. Com 274 metros de comprimento, 48 metros de largura, 51,6 metros de altura e 12 tanques de carga, considerado a maior embarcação já construída no país, com a capacidade de transportar metade da produção diária do petróleo brasileiro. Quando de seu batismo (2010) pelo ex-presidente Lula em Pernambuco, o petroleiro teve que ser retirado às pressas para que não viesse a afundar; soldas mal feitas, junções inacabadas ameaçavam o petroleiro que só veio a navegar dois anos após (2012) depois de serem feitos reparos definitivos. O custo final ficou em 363 milhões de reais, o dobro do que se fosse construído por estaleiros no exterior. Assim o dinheiro recolhido do sacrificado povo brasileiro segue para o ralo da incúria com que é tratado pelo gestor público.

Em 31.01 comemorou-se o terceiro aniversário da tragédia de Brumadinho. Até hoje, ninguém foi punido, a empresa responsável, escudada em legislação leniente, esquiva-se de assumir suas responsabilidades e a cidade vive ameaçada por novas tragédias. E, o processo de espoliar o povo, continua…

A pandemia mostrou ao povo que, mesmo durante crise aguda, o gestor, sem pudor e medo, agiu em desfavor do povo. Respiradores superfaturados foram comprados e sequer foram entregues, respiradores comprados em lojas especializadas em comércio de vinhos, respiradores comprados fora de especificações e, por aí, segue o baile. Ainda veremos muitos absurdos que foram cometidos em nome do: “eu vou salvar o povo!”

Com as migalhas distribuídas ao povo através dos vários benefícios concedidos compra-se a passividade da maioria da população, que já se encontra anestesiada pela desesperança e será vítima fácil para governos autoritários. Isto muito me impressionou quando estive em Cuba; a conformidade com tudo que acontecia e a culpa era do embargo americano. O governo foi eficiente em vender uma mentira, o povo tinha uma só preocupação: se teria o que comer na próxima refeição!

 

Foto do topo de Mariakray no Pexels.

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