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Coluna Ozinil Martins | A difícil arte de envelhecer em Terra Brasilis!
22 de Dezembro de 2021

Coluna Ozinil Martins | A difícil arte de envelhecer em Terra Brasilis!

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 22 de Dezembro de 2021 | Atualizado 22 de Dezembro de 2021

O objetivo de cada um de nós deve ser o de envelhecer com dignidade e isto pressupõe viver jovem o máximo de tempo possível, pois esta é a única forma de manter-se vivo e dar sentido à vida. Acontece que, em Terra Brasilis, isto fica cada vez mais difícil. Verdade que a idade média do brasileiro aumentou significativamente nos últimos anos. A melhoria nas condições de vida e os recursos médicos disponibilizados pela medicina preventiva e curativa levaram o brasileiro a viver mais e isto aumentou a idade média, que nos anos 40 do século passado era de 48 anos para os homens e 51 anos para as mulheres, para 73 anos os homens e 80 anos as mulheres, dados de 2019 segundo o IBGE. Além das políticas públicas, como o Estatuto do Idoso, que definiram a relação da sociedade com aqueles que ousaram romper barreiras estabelecidas pelo tempo.

Porém, os problemas crônicos que afetam a sociedade refletem-se, pesadamente, nos mais vividos. Pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Educadores Financeiros (ABEFIN) mostra que 81% da massa de trabalhadores brasileiros dependerão, exclusivamente, do INSS para prover seu sustento e a manutenção de seus bens; somente 19% recebem salários que lhes permitem planejar sua vida futura. Este resultado é consequência dos baixos salários pagos aos trabalhadores do país e que escancara o baixo preparo das pessoas para ocupar cargos mais qualificados em função do baixo nível de escolaridade e o fraco desempenho da Educação.

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Importante que falamos apenas dos trabalhadores que possuem vínculos formais de trabalho quando, somados aos trabalhadores do mercado informal, dá para imaginar o tamanho do problema. Dos 5570 municípios brasileiros, 64% dependem do dinheiro recebido pelos aposentados através do INSS; são 3561 municípios onde o salário pago aos aposentados supera a transferência feita pela União através do Fundo de Participação dos Municípios. O que isto representa? Que os idosos não são somente os responsáveis pelo sustento de suas famílias, mas também, respondem pelo fluxo econômico de 64% dos municípios brasileiros.

Se não bastasse as ocorrências diárias de abandono e descaso de idosos, de direitos afetados, de desrespeito aos mais comezinhos princípios de civilidade os senhores deputados, que acabam de derrubar o veto presidencial que impedia o uso de quase 6 bilhões de reais para campanha política, estão estudando derrubar o artigo do Estatuto do Idoso que impede aumentos nos planos de saúde acima da correção inflacionária. Está tramitando nas comissões da Câmara Federal a revisão do artigo que garante aos idosos com idade acima de 60 anos que, apenas, seja repassado o aumento da inflação e, não a inflação que ocorre na medicina de forma geral. Esta, pelas inovações constantes na medicina é, sempre, superior à inflação que corrige salários e aposentadorias. Bom lembrar que os usuários dos planos de saúde correspondem a menos de 50 milhões de brasileiros (maioria em planos corporativos) e os idosos formam a parte insignificante deste contingente.

A lógica é simples; o idoso de hoje, que pagou seu plano de saúde por longo espaço de sua vida, ao se aposentar, além de agravado pela perda gerada pela aposentadoria, terá que arcar com custos adicionais que afetarão, com certeza, sua qualidade de vida. Parece que não só o vírus tem maldosas intenções em relação aos idosos; Suas Excelências parecem querer fazer parte do projeto, mesmo porque, se estou correto, têm direito a plano de saúde vitalício.

Se o brasileiro comum, ao longo de sua vida, tivesse recebido uma educação de qualidade, com certeza, teríamos um Congresso composto por pessoas qualificadas e que tivessem como prioridade o bem estar de sua população. Por isso e, insistentemente, escrevo em minhas colunas que o descaso com a educação não é por acaso, é planejado!

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