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ARTIGO | Conheça as principais diferenças entre venture builders e venture capitals
14 de Dezembro de 2021

ARTIGO | Conheça as principais diferenças entre venture builders e venture capitals

Algumas terminologias são parecidas e criam dúvidas para os que não estão tão habituados com elas

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Foto de Austin Distel on Unsplash

 

por Ana Debiazi*

O universo das startups e investimentos é muito vasto. Algumas terminologias são parecidas e criam dúvidas para os que não estão tão habituados com elas, como “venture builder” e “venture capital”. Vou explicar as quatro principais diferenças entre elas.

Venture capital (ou capital de risco) é uma modalidade de investimento focada em injetar capital na empresa para ajudá-la a crescer, mas também influenciar diretamente no andamento e na gestão do negócio. Isso contribui na criação de valor para a futura venda de participação acionária na empresa. Esse investimento pode ser realizado por: companhias de participações; gestores, através de fundos de investimento em participações (FIPs), que são fundos estruturados para essa finalidade; e por investidores individuais que disponham de capital e amplo conhecimento para investir.

Os gestores de venture capital também são focados em saber e analisar quem são os fundadores das startups a serem investidas. Geralmente, como a fase da startup a ser investida já é mais avançada, analisam-se com mais rigor as métricas disponíveis. Além disso, muitos fundos de venture capital direcionam os esforços em startups que já passaram pelo MVP (tradução para Mínimo Produto Viável) e já estão em pleno funcionamento. Esse tipo de negócio, normalmente, precisa de aporte para impulsionar o crescimento e dar escala ao negócio, e o intuito é dar suporte para startups e negócios por meio da compra de uma participação acionária, que normalmente é minoritária. Além do apoio financeiro, isso pode envolver uma parceria mais próxima com os sócios, inclusive trazendo executivos para ocupar cargos estratégicos na empresa.

Existe grande possibilidade de as empresas investidas falharem e não retornarem capital ao fundo (o que acontece com cerca de 50% delas), e esse é o risco que os investidores correm. Para compensar as perdas com essas empresas, o fundo precisa investir em algumas pérolas, empresas que irão retornar o valor investido mais de 10 vezes.

Para tirar uma ideia inovadora do papel e impulsionar o negócio, os empreendedores devem buscar recursos que vão além do aporte financeiro. Mais do que dinheiro, para desenvolver uma solução inovadora, é preciso contar com uma rede de pessoas experientes em inovação, tecnologia e negócios que saibam como conduzir o crescimento de novas empresas de base tecnológica. É nesse contexto que surgem as venture builders.

O objetivo de uma venture builder é promover as startups e direcioná-las estrategicamente no mercado. Em contrapartida, as VBs ganham participação acionária na startup, que segue até o exit, momento de “saída da startup” no qual toda a participação é vendida. Vale ressaltar que as organizações de venture building estão envolvidas com as operações diárias das startups e as ajudarão também nas tomadas de decisões, fazendo com que as empresas comecem a rodar de fato. Aqui, todas as ideias e até mesmo os times são construídos internamente.

É importante salientar que as maiores e mais promissoras venture builders são aquelas que vão além do “holding” e atuam de forma “hands-on”, ou seja, que atuam em diversas esferas para promover as startups de seu portfólio, seja desenvolvendo modelos de negócios, seja trabalhando com times jurídicos, contratando gerentes de negócios, desenvolvendo campanhas efetivas de marketing durante o pré e pós-lançamento de suas startups, entre outras ações importantes e necessárias para o desenvolvimento sustentável de suas ventures.

As ventures builders são empresas S.A, normalmente de capital fechado, formadas por um grupo de investidores que aportam smart money nas startups, a fim de desenvolvê-las operacionalmente, com equipe hands on atuando em seus gaps. As ventures builders têm uma grande rede de relacionamento para alavancar as vendas das startups, e, no momento correto, iniciar as captações de investimento.

Desta forma, os investimentos são menos arriscados, já que o produto da startup foi validado pelo mercado, o faturamento já começou a acontecer, e o capital injetado foi projetado para investimento direto em produto e vendas, tendo um acompanhamento dos gastos pela VB. Os fundos de venture capital não atuam de forma operacional nas empresas investidas. Em vez disso, eles definem as suas teses de investimento (por exemplo, startups de determinados segmentos como construtechs, martechs, agtechs, entre outros) e, acima de tudo, focam nos times envolvidos nos projetos. Afinal, eles são os responsáveis pelo desenvolvimento operacional.

Outra diferença fundamental é que os fundos de venture capital se concentram em fazer apostas em uma série de negócios com a estratégia de acertar algumas poucas startups com crescimento exponencial, responsáveis por representarem no futuro a ampla maioria do seu portfólio (80% dos retornos são originados por 20% das empresas). Enquanto isso, as venture builders investem em startups ligeiramente menos arriscadas, com uma proporção maior do seu portfólio vindo a se tornar empresas estáveis e saudáveis (6 em cada 10 startups investidas). As venture builders, portanto, estão intimamente ligadas ao gerenciamento diário da operação.

O mundo das startups, venture capitals e venture builders é vasto e cada investidor, cada ponta precisa ser amarrada e tem sua função.

 

*Ana Debiazi é CEO da Leonora Ventures, Corporate Venture Builder com DNA inovador e com proposta de trazer soluções para os setores de educação, logística e varejo e promover a aproximação entre organizações já consolidadas e startups.

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