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Empresas jornalísticas e a pesquisa em comunicação
08 de Novembro de 2011

Empresas jornalísticas e a pesquisa em comunicação

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 *Por Carlos Eduardo Lins da Silva
 

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Uma das diferenças fundamentais entre o comportamento de empresas jornalísticas nos EUA e no Brasil tem sido historicamente a grande disposição daquelas e a absoluta inapetência destas para investir em pesquisa acadêmica sobre comunicação em geral e jornalismo em particular.
 
São inúmeros os exemplos de grandes jornais americanos que decidiram dedicar boa parte de seus lucros para que se estudasse de maneira metódica a sua própria atividade, de modo a que fosse possível entendê-la melhor e, em decorrência, possivelmente aprimorá-la, em benefício de si próprios e, acima de tudo, da sociedade e do sistema democrático.
 
Em 1902, Joseph Pulitzer, proprietário do New York World, propôs a criação de uma escola de jornalismo, que começou a funcionar em 1912 na Universidade Columbia e se converteria numa referência mundial para o ensino e pesquisa da atividade.
 
O Chicago Tribune, um dos mais tradicionais diários americanos, da maior cidade de Illinois, instituiu a Chicago Tribune Foundation em 1955 para promover a excelência em jornalismo.
 
O St. Peterburg Times, da cidade de St. Petersburg, na Flórida, criou, em 1975, por decisão de seu dono, Nelson Poynter, entidade que teve o nome inicial de Modern Media Institute (atualmente Poynter Institute) e que nesses 46 anos de existência se converteu num importante centro de ensino e pesquisa sobre jornalismo e comunicação em geral.
 
 
Imprensa e sociedade
 
E os exemplos poderiam se estender por milhares de linhas. Em cidades grandes e pequenas, empresas de todo porte dedicaram sempre consideráveis somas de dinheiro para conhecer e aperfeiçoar o jornalismo nos EUA. No Brasil, iniciativas similares são raríssimas.
 
Mesmo durante a extraordinária crise de que a indústria jornalística americana enfrenta há pelo menos 15 anos, esse comportamento se mantém. Em junho, por exemplo, a Knight Foundation anunciou um investimento de US$ 3,7 milhões no Centro para o Futuro da Mídia Cívica, no Massachusetts Institute of Tecnhology (MIT).
 
O objetivo precípuo do centro é pesquisar a questão específica de como as comunidades obtêm e produzem informações; e como as pessoas tomam decisões baseadas nessas informações, que as tornam civicamente ativas.
 
O centro vai trabalhar em estreita colaboração com o famoso Media Lab do MIT para poder mesclar e aprofundar o conhecimento de novas e antigas tecnologias de comunicação com o objetivo de ampliar a participação de cidadãos na vida política das comunidades americanas.
 
Quando este tipo de atitude se tornar minimamente comum no Brasil, seguramente a imprensa e a sociedade brasileiras se tornarão melhores.
 
 
*Carlos Eduardo Lins da Silva é jornalista. Texto publicado originariamente no Observatório da Imprensa

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