Eu me considero um semi-nerd.
É que eu adoro várias coisas que nerds adoram e não vou listar todas, porque tenho medo que mandem uma ambulância vir me buscar, ou pior, de jogar décadas de credibilidade pessoal pela janela…
Mas ok, uma das minhas nerdices, eu confesso.
Eletrônicos e gadgets sempre me fascinaram e isso foi um pulinho, para muito cedo, começar a brincar com computadores e isso faz tempo, lá no início dos anos 80, na faculdade de engenharia, quando pegávamos uns kits bem fuleiros, conectando uma TV preto e branco (nossa…) e tentávamos, olha só, escrever programas para aquelas maquininhas, entre pileques de guaraná Pureza.
Posso dizer que vivi por dentro a evolução da presença do computador na vida das pessoas, desde o tempo em que essas máquinas eram o santo graal de uma pequena legião de iniciados, passando pelos estágios de ser ferramenta de trabalho, eletrodoméstico, até o momento atual, quando para muita gente, o netbook, o smartphone ou o tablet se transformaram em um órgão vital, como um pulmão, por exemplo (tire uma dessas coisas de um atendimento de agência ou de veículo, pra você ver o que acontece…).
Com a internet foi parecido. Os primeiros contatos, no início dos anos 90, hoje, soariam cômicos para a molecada que hoje trafega em banda larga, pois as conexões discadas e os protocolos e aplicativos da época me ensinaram duas virtudes importantes: paciência e perseverança.
Pois então, eu disse que sou um semi-nerd.
E semi, porque diferente dos 100% nerds, as relações que as pessoas desenvolvem com a tecnologia e as consequências disso na maneira como vamos viver, trabalhar, consumir e nos relacionar, daqui em diante, me interessam tanto quanto o novo brinquedinho da moda.
Por isso, o momento do Facebook me chama a atenção.
É impressionante o que aconteceu entre 2004, quando o Zuckerberg e seus parceiros criaram o monstrinho (creio que você tenha visto o filme) e hoje.
Só que é aí que a cyber porca torce o cyber rabo.
Comecei a utilizar a über rede social bem no seu início e durante muito tempo, basicamente eram amigos estrangeiros e profissionais que se conectavam por ali.
A ideia de conectar pessoas, que na teoria, se conhecem, é sensacional, pois aproxima amigos que perderam o contato, famílias que se distanciam, e o que é mais bacana, redefine afinidades e interesses.
Até que hoje, recebi uma solicitação de amizade de um tal Bolinhos da Zulmira. Primeiro tentei me lembrar se eu já conheci algum Bolinhos. Mas aí, me dei conta que obviamente eu me lembraria de alguém chamado ou apelidado Bolinhos, principalmente sendo ele filho da Zulmira. Mas eu também não conheço nenhuma Zulmira.
Esse singelo exemplo me leva a pensar, que por mais geniais e visionários que sejam os criadores do Facebook, são as pessoas e seus anseios e seus objetivos, sejam eles nobres ou mesquinhos, individuais ou coletivos, altruístas ou egoístas, que fazem o mundo e por consequência, o Facebook serem o que são.
E me lembra de dois trabalhos de uma consultoria italiana, chamada Casaleggio Associati, que falam do futuro da mídia e da política até 2050.
Basicamente, assume-se que o maior mercado do mundo será construído pela venda das nossas experiências de vida, transformadas em memórias digitais, que poderão ser vivenciadas por qualquer um que pagar por elas, através de uma interface cerebral. Ou seja, experiência será a nova realidade.
Essa mesma interface cerebral será decisiva para integrar todos os seres humanos em uma rede que compartilhará conhecimento e através dela, fundamentada neste mesmo intercâmbio de conhecimento, tomar decisões globais que darão um by pass na representatividade da atual democracia, que é feita através de eleitos. Cada um será o seu representante. Conhecimento coletivo será a nova política.
Com licença de alguma liberdade poética e de uma boa dose de “viagem” desses italianos, pode ser algo muito perto disso que veremos nos próximos quarenta anos.
Bom ou ruim, pago pra ver.
Velhinho, conectado, com um copo de Pureza na mão e Bolinho da Zulmira para acompanhar.
PS. O merchan prá Pureza foi de graça, tá?…

