Publicidade e cachaça. Ou ao contrário.
11 de Setembro de 2012

Publicidade e cachaça. Ou ao contrário.

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A crise espanhola é fato. Mas talvez no meu último artigo pro Acontecendo Aqui eu tenha exagerado no tom pessimista. Tanto é que alguns leitores amigos chegaram a me oferecer, em ato de nobre gentileza, sua ajuda “no que for preciso”. Agradeço sinceramente o apoio, mas lembro aos incautos que o significado de “crise” em um entorno europeu é bem diferente do das crises que ciclicamente abatem nossa castigada América Latina. A crise aqui anuncia um remoto e afinal improvável estado de falência dos serviços públicos, enquanto na América do Sul, por exemplo, sequer chegamos ao patamar (e estamos longe disso) de oferecer serviços públicos de qualidade ao total da sociedade. A gente vai com o trigo, eles voltam com o fubá. A comparação é cruel mas é real. Crise espanhola é fichinha para qualquer sulamericano calejado.

Quanto às ofertas de ajuda, me comovo e, querendo o braço a quem me dá a mão, mendigo aos mais sensíveis que me enviem urgentemente uma garrafa de boa cachaça amarela, artigo inexistente por aqui. Para quem está em Floripa, boa fonte é o Empório Mineiro do Via Lagoa (ainda existe?), embora opção não menos digna seja a clássica Armazém Vieira, com o selo da terra de Zininho.

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Mas eu tô aqui para falar de publicidade e não de cachaça. Devo estar ficando velho. Alguém poderia, por favor, traduzir para mim a primeira frase do texto do anúncio da página cinco do El País de hoje (11/09/12)?: “El nuevo Ultrabook Satelite U840, con procesador Intel Core ¡5 y Windows 7 Home Premium se convertirá en tu mejor inverisón y en el mejor amigo de tu familia”. Desculpem a santa ignorância, mas “el nuevo” o quê??? Isso para mim é grego. Faz-me lembrar o escrachado título de um álbum do Língua de Trapo de 1986: “Os 17 big golden hits super quentes mais vendidos do momento”. Em três palavras: encheção de linguiça (e já nem sei se linguiça tem trema ou não. Sérgio Ribeiro, Alline Silva e demais colegas revisores… alguma luz para esse velho e defasado escrevinhador?).

Mas o El País de hoje tá mesmo hilário. O novo Audi A3, em página inteira, anuncia sua “arquitetura interior rompedora”. Uau! Isso de “rompedora” eu nunca tinha visto. Chega até a dar medo. Fica a dica desse novo adjetivo aos redatores brasucas. Coisa de primeiro mundo. Esse mesmo anúncio diz que o novo Audi A3 tem “tecnologia intuitiva”. Estão muito ousados mesmo esses redatores espanhóis, cheio de salamaleques e sacadas brilhantes. Essa de “tecnologia intuitiva” foi um achado. Só faltou explicar que catzo é isso.

Vou parando por aqui, porque o resto dos anúncios não valem a pena. Nem engaraçados são. Aos que querem me ajudar “no que for preciso”, passo meu endereço completo em mensagem privada no Livro-Cara, como o chama o Brüggeman, honrado defensor da última flor do Lácio. E vocês que se entendam depois com minha muié.

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