Distanciar-se de nossa atividade diária é um exercício saudável e revelador. Férias, aliás, existem para isso. O problema é que nunca são suficientes. Em duas, três semanas ou mesmo em um mês inteiro, a distância a que se consegue chegar geralmente é curta. E, ainda que seja longa, dura pouco. Falo da distância mental, não da física. A distância relativiza importâncias. O que não é pode passar a ser e o que é pode passar a não ser. A distância pode inclusive relativizar a importância que você dá a você mesmo. Isso sim é importante. Fora do seu círculo, você vê que não é ninguém, ou melhor, que não é o mesmo, ou, melhor ainda, que talvez se transforme mais em um você de verdade, mais autêntico, mais essência e menos acessório. Quando representar perde o sentido, você enfim pode se conhecer. Pensando assim, distância pode significar libertação ou autoconhecimento. Distanciar-se é como começar do zero. Mas por que raios este colunista tá aplicando esse papinho furado no pior estilo auto-ajuda pra cima dos pobres leitores? Vamos seguir, se você tem coragem.

