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É muito comum que a cada ano surja uma nova sigla ou conceito novo entre as empresas. Com as novidades tecnológicas e a troca de informação mais rápida, é natural que novos conceitos se espalhem com maior facilidade e rapidez. Nas últimas duas décadas, termos como big data, IoT (Internet das Coisas) ou mesmo o compliance figuraram em quase todas as reuniões de pequenos, médios e grandes negócios.
Portanto, não é de se estranhar que uma nova sigla esteja dominando ações de empresas mundiais e alterando o rumo de companhias dos mais diversos setores, tudo para suprir as necessidades de consumidores cada vez mais preocupados com aspectos que vão além dos negócios. Nesse cenário, tem ganhado cada vez mais espaço uma sigla: ESG. Você sabe o que ela significa?
Você provavelmente ouviu falar sobre ele no ano passado, em meio à pandemia de covid-19, mas também é possível que ainda não saiba do que se trata. Meu objetivo é que, ao final deste texto, você tenha uma boa ideia não apenas do conceito, mas das potencialidades que ele oferece para seu negócio.
Environmental, Social and Corporate Governance (ESG) ou, em português, Ambiental, Social e Governança (traduzido para “ASG”) é a forma como consultorias, bancos e fundos de investimento têm construído critérios para avaliar empresas diversas de acordo com os impactos que suas operações promovem no meio ambiente, na sociedade e no próprio ambiente de negócios.
O ESG (ou ASG) surgiu como o braço sustentável do mercado financeiro em momento em que esse setor importante da economia mundial passou a incorporar elementos ambientais como partes preponderantes de suas avaliações de negócios (investimentos, empréstimos, intermediações, pontuações financeiras, etc.). Essa sigla tem ganhado a atenção da mídia nacional e internacional, em veículos como o Jornal365.com, que acompanha o mercado mundial.
Mas é importante dizer que o ESG não é necessariamente uma tendência nova. Na verdade, a sigla existe pelo menos desde meados dos anos 1970. O que acontece neste momento é que os preceitos da sigla adquiriram um status diferente em meio à pandemia e seus efeitos aterradores nos mais diversos setores – cujos impactos nos negócios se comparam a grandes acontecimentos do passado, como as crises econômicas e as guerras do século XX.
De modo geral, os critérios do ESG determinam o quanto uma empresa é capaz de se envolver em questões que vão além do ambiente empresarial. Eles cobrem um grande espectro de questões que tradicionalmente não são parte das análises e decisões financeiras, como suas políticas efetivas de prevenção à corrupção, como elas lidam com suas cadeias de produção e como atuam com relação à saúde dos seus colaboradores.
Um dos periódicos econômicos mais importantes do mundo, o Financial Times, define o ESG como “um termo genérico usado em mercados de capital e por investidores para avaliar comportamentos corporativos e para determinar o desempenho financeiro futuro das empresas”.
Ainda segundo o Financial Times, a importância do ESG está em demonstrar quais são os riscos que são levados em conta hoje tanto por grandes investidores como por empresas de diversos portes e setores de atuação em seus planejamentos estratégicos.
É por isso que o ESG é conhecido também pela expressão “sustainable investing” (“investimento sustentável”): ele é um guarda-chuva que representa a busca por investimentos positivos e cujos retornos não sejam aferidos apenas em termos financeiros, mas também em impactos de longo prazo na sociedade, no meio ambiente e, claro, nos resultados dos negócios.
Em meio à pandemia, o conceito de ESG aterrissou no Brasil para ficar, apesar de ainda ser relativamente novo. Recentemente, a XP Investimentos lançou três fundos sustentáveis com aplicações mínimas de R$ 500, seguindo iniciativas de bancos como o Santander e de outros gestores internacionais com atuação no país.
No entanto, o conceito ainda engatinha no Brasil. Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), o montante aplicado em fundos de ações sustentáveis no Brasil somava R$ 543,4 milhões em junho do ano passado. Era um volume 29% maior do que o registrado no mesmo mês de 2019, mas representava apenas 12% de todo o patrimônio nacional de fundos de ações.