Publicado originariamente em 23 de maio de 2011
Na última sexta-feira, 20/05, o Grupo RBS recebeu agências e anunciantes no Il Campanário Jurerê, para o lançamento do projeto “Café com Jornal”, que se destina a discutir marketing. O evento deve acontecer outras vezes ao longo do ano.
Palestra
Convidado para ser o palestrante do primeiro evento, Allan Barros, sócio e CCO da Fischer+Fala!, abordou os desafios do meio jornal diante da mudança de perfil dos leitores com as novas tecnologias. Segundo Barros, que durante 12 anos foi diretor de marketing de empresas como Marabraz, Insinuante e Casas Bahia, o jornal mantém grande importância para a construção da marca de uma empresa, além de ser relevante para as ações ligadas ao varejo. O hábito adquirido permanece ao longo da vida, e apesar da concorrência com os meios digitais, o consumo do jornal permanece um prazer para o leitor.

AcontecendoAqui acompanhou o evento e destacou alguns dados apresentados pelo palestrante:
“Os jornais atravessam dias difíceis, a publicidade escasseia e os leitores procuram cada vez mais formatos digitais. Mas quem pensa que os jornais em papel estão condenados à morte, estão completamente enganados.”
“94% dos leitores de jornal buscam informação, 17% buscam entretenimento, 12% distração… e os cadernos de Medicina e Saúde foram os que mais cresceram nos últimos anos”
“71, 43% dos não assinantes de jornal concordam em pagar até R$ 2,00 por dia”
“35 milhões de brasileiros subiram na escala social nos últimos 5 anos. O Brasil vai crescer uma Espanha até 2014 em termos de consumo. E a Classe C será responsável por 71% desse consumo”
“Na agência (Fischer+Fala) costumamos chamar de leitores de ‘navio’ ou ‘submarino’. Navio é aquele que pega no twitter e fala com você sobre tudo em 6 segundos. E o leitor que quer informação com mais precisão ele vai buscar no jornal. E, então, ele consegue trocar alguma coisa com você por 5 minutos”
Tendências para o meio jornal
Um estudo realizado pela agência Fischer+Fala para a ANJ-Associação Nacional de Jornais, para saber qual a opinião de alguns públicos sobre o jornal em papel apresentou o seguinte:
Leitor
– O prazer da ocasião de ler o jornal no formato tradicional;
– O hábito.
Anunciante
– Necessidade específica;
– É caro;
– Mito de não se construir marca com o meio jornal.
Diretores de mídia
– Pega um jornal de 1950 e um de ontem, a experiência é rigorosamente a mesma;
– São poucos os veículos que pararam para entender o que os novos leitores estão buscando;
– O meio passa para um modelo muito delicado que é o conteúdo. Só assim o meio ocupará uma
posição de destaque no cenário dos leitores.
O jornal ideal na opinião desse público
– Seria acessível, caberia no meu bolso, uma espécie de iTunes;
– Com a mecânica do Skype, onde eu abateria meu consumo de um crédito que comprei;
– Um despertador que me acorde com as notícias que eu quero saber para começar o dia bem informado;
– Apenas 10 minutos de notícia falada com os assuntos que eu escolhi e com a voz e fundo musical de minha preferência.
Opinião
O jornalista Carlos Stegemann, diretor da PalavraCom Editora e membro da diretoria da ACI-Associação Catarinense de Imprensa, que acompanhou o evento, falou com AcontecendoAqui e disse que o jornal talvez seja o meio de comunicação mais suscetível às mudanças tecnológicas e culturais desta década. Segundo ele, “o publicitário Allan Barros destacou dois aspectos que considero os mais importantes neste processo: a possibilidade de escolha do leitor pelo formato que desejará ler seu jornal e os ganhos no formato digital. Apesar das muitas facilidades de acesso (posso ler milhares de jornais via internet), a leitura em PDF é pouco amigável e desmotivadora. Se o conteúdo digital oferecer ganhos em comparação ao impresso, a opção pelo meio virtual crescerá em maior proporção. Diante dessa evolução a publicidade também terá mais visibilidade e proporcionará ganhos relevantes aos leitores, anunciantes e veículos. No formato digital é possível expandir as fotos disponíveis e permitir a interatividade do leitor, oferecer novos ângulos e cortes, além de um conteúdo mais amplo, com links de hipertexto, antecedentes da matéria abordada etc.”, opina Stegemann.
O diretor da palavra disse concordar com Barros, quando este afirma que a revolução no conteúdo terá maior importância do que as formas de distribuição, o que valorizará as marcas mais fortes e críveis do mercado editorial. “Na minha percepção pessoal, no Brasil a transição entre o modelo tradicional e virtual do jornal não será uniforme, mas obedecerá às desigualdades de renda, cultura e infraestrutura”, reflete o jornalista.
