1. O cara entrou no bar e pediu dez pingas. O garçom tomou um susto:
“DEZ ?!”
“Dez. E bota aí no balcão, em carreirinha.”
Como não tinha outro jeito, o garçom obedeceu e ficou espiando. A surpresa aumentou ainda mais quando ele viu o cara tomar todas, e determinar:
“Agora bota nove.”
De novo, o garçom serviu, o cara bebeu e, para espanto dele, determinou:.
“Bota mais oito. E não se esqueça: em carreirinha.”
O cara, agora menos afoito, bebeu calmamente, e repetiu a ordem:
“Bota sete agora.”
Embora em um ritmo cada vez mais lento, o cara foi comandando:
“Bota mais seis.”
“Mais cinco.”
“Mais quatro.”
“Mais três.”
“Mais dois.”
Agora, falando já com alguma dificuldade, ele dá a ordem derradeira:
“Bota um.”
O garçom obedeceu, ele tomou e perguntou:
“Xcuta, colega, me diz aí por que quanto menos eu bebo, mais bêbado eu fico.” (Bola Murcha, no jornal Super Notícia)
2. Outro dia a Meio & Mensagem publicou entrevista concedida por Daniel Edelman, dono e presidente da Edelman, uma das maiores empresas especializadas em Relações Públicas do mundo.
Com efeito, a Edelman não é pouca coisa: tem 63 escritórios, 4,5 mil funcionários e receitas que somaram, em 2011, US$ 615 milhões.
3. Do alto da sua autoridade, Edelman decretou: a disciplina de Relações Públicas ganhará espaço sobre a Publicidade. Disse, a certa altura:
“Em uma campanha, geralmente, o criativo da agência de publicidade diz “vá e faça” e o RP faz. Nós não acreditamos mais neste modelo histórico e defendemos que as ideias que estão do lado de relações públicas vão prevalecer em relação às da publicidade daqui pra frente.”
“Antes, o foco era na campanha e o RP era o fim da cauda da raposa. Agora, ele vem primeiro, para ajudar na formação da opinião e iniciar o buzz que a publicidade irá seguir.”
4. A tese de Edelman não é nova: em 2002 ela foi defendida, com ênfase, por Al Ries e Laura Raies, no livro A Queda da Propaganda – da mídia paga à mídia espontânea. Mas não pegou. Ou porque ela era fora de propósito, ou porque, na ânsia de defender seu ponto de vista os Raies destorceram vários cases, o livro e a tese caíram no esquecimento.
5. De volta, agora pela boca de Edelman ela traz os mesmos erros. Hoje é impensável que uma agência profissional e um anunciante medianamente informado se deixe levar pelo “vá e faça” do criativo.
Isso de fato chegou acontecer em alguns casos até, no máximo, a década de setenta. Foi a época em que as agências impunham, de carreirinha, vários copos de talento criativo. O cliente, inebriado, bebia-os e repetindo-os, se embriagavam. Hoje isso não existe mais. Ou não deve existir.
6. Hoje, um planejamento realmente profissional, parte do princípio de que algo maior, chamado comunicação, tem de ser considerado. Necessariamente.
E quando se fala em Comunicação, leva-se em consideração as diversas ferramentas: publicidade, propaganda, relações públicas, marketing direto, marketing digital – tudo. Sem essa de uma disciplina ser, sempre, mais importante que a outra.
7. Acho que o Daniel Edelman está embriagado pelas Relações Públicas. Perguntando para sua excelência, o consumidor: por que quanto menos eu vejo as outras ferramentas de comunicação, mais embriagado eu fico?
