Estamos em pleno verão no Hemisfério Norte. Na Europa, o Sul da Península Ibérica é um dos destinos mais procurados não só por portugueses e espanhóis, mas também por ingleses, alemães e toda a turminha dos países do centro e do norte do continente. O calor nas praias chega facilmente aos quarenta graus, e o dia se mantém claro até as dez da noite. Panorama ideal para vender (e para beber) cerveja.
A cerveja espanhola se assemelha muito à brasileira. A graduação é baixa e o sabor é suave. E o pessoal aqui também faz questão que ela esteja bem geladinha. Já a publicidade desse produto, essa é bem diferente da feita no Brasil. Nada de peitos, nada de bundas, nada de piadinhas que só muito bêbado mesmo pra achar graça.
Trago aqui dois exemplos atualmente no ar na tevê espanhola. Do primeiro, da marca Cruz Campo, gosto mesmo é do conceito, porque dos filmes em si já tô meio de saco cheio. Acho que exageraram no número de inserções. Desse primeiro exemplo gosto também da música, que se popularizou e está na boca do povo espanhol. Do segundo filme gosto da peça em si. É um barato. Bem bolada e bem produzida. É desses comerciais que você pára pra assistir porque parecem simpáticos e divertidos. A mensagem a se transmitir nesse caso é a internacionalidade da marca – San Miguel é a cerveja espanhola mais exportada. Comunicar seu caráter internacional e ainda agregar diversão e simpatia à comunicação merecem aplausos.
Vamos ver os dois. O da Cruz Campo é fruto de uma idéia das boas, um sacada inteligente que quase não se vê mais por aí. A brincadeira é com o Sul e o Norte, e aí as metáforas deitam e rolam. Na Espanha, o Norte é mais frio, mais úmido, mais senhorial, mais sóbrio e sério. O Sul é ensolarado, mestiço, alegre e cheio de belas praias. Isso é generalizar, mas a percepção do próprio povo espanhol sobre seu país é essa mesma. Com a frase “Todos necessitamos de um pouco de Sul pra não perder o Norte”, os criativos da agência da Cruz Campo deram uma aula de como interpretar bem um brief e sacar dele uma solução bacana e sob medida para o público, desejoso de dar uma chutada no balde com a chegada do verão. Para os roteiros e produção talvez o esmero não tenha sido o mesmo, mas para o conceito, eu, se usasse, tiraria o chapéu. Coloco abaixo um dos filmes da campanha:
