Foto: Asaas/Divulgação
O ano de 2020 está sendo marcante para as startups que desenvolvem tecnologias de pagamento digital. O cenário de isolamento social, somado à perspectiva da liberação dos pagamentos automáticos (PIX) pelo governo federal, em novembro próximo, traz uma série de oportunidades às fintechs nacionais.
A Asaas, de Joinville, que desenvolve uma desenvolve uma plataforma de conta digital para empreendedores, obteve um crescimento de 38% no total de clientes autônomos. Como a plataforma pode ser usada por pessoas físicas e jurídicas, com ou sem conta bancária, um dos serviços que mais cresceu foi a gestão de pagamentos.
“Percebemos um impacto no cliente desde a vinda do Covid-19 e do lockdown . Nós atendemos profissionais autônomos, micro e pequenos empreendedores que tiveram que continuar a trabalhar para manter o fluxo de caixa. Com isso, observamos uma baixa no faturamento desses clientes em abril (15% de queda). Em maio, vimos que essas pessoas tiveram de se adaptar e buscar ferramentas online e as vendas começaram a crescer”, comenta o CEO e cofundador Piero Contezini.
A Transfeera, uma fintech open banking que processa pagamentos e transferências para empresas como iFood e Rappi (outras campeãs de serviço pós-Covid), viu a demanda disparar: em abril, a startup processou 260 mil pagamentos, um crescimento sete vezes maior do que havia feito no mesmo mês de 2019. Antes da pandemia, a média era de 70 mil operações por mês (um volume que ela realiza atualmente em poucos dias). Com sede em Joinville, a empresa tem 22 colaboradores e já ampliou a equipe neste período, diz o CEO Guilherme Verdasca: “contratamos mais pessoas para o time a fim de aproveitar novas oportunidades e reinvestir na companhia, proporcionando maior crescimento futuro. E até o fim do ano pretendemos contratar mais”.
A necessidade de digitalização dos pequenos negócios, um dos “legados” da pandemia, foi um fator positivo para a blumenauense Pague Veloz: em oito meses o volume de contas ativas na plataforma aumentou cerca de 700% – já são mais de 170 mil. Entre os principais segmentos de atuação está o setor automotivo: oficinas mecânicas, despachantes e autoescolas.
“Com a pandemia”, destaca o CEO da fintech, Paulo Gomes, “aceleramos projetos para apoiar os pequenos negócios na gestão de finanças, além de materiais informativos. Também liberamos a opção de pagamento por link, para que pudessem seguir com as cobranças sem necessidade da presença do cliente no estabelecimento. Este diferencial foi muito importante para diversos negócios, preservando caixa no período de isolamento social”.
A empresa espera dobrar de tamanho nos próximos meses, com a perspectiva de abrir 100 vagas de trabalho – hoje a equipe é de 118 colaboradores – especialmente nas áreas de desenvolvimento, comercial e administrativo.
Vendas à distância
Outro segmento que ganhou impulso com o cenário de pandemia e isolamento social foi a área de Vendas Internas das empresas (Inside Sales). A metodologia prioriza formas de comunicação online e à distância com potenciais clientes (de e-mails a telefone, redes sociais e videoconferência) para reduzir custos de operação.
Um mercado no qual a startup Meetime, de Florianópolis, começou a explorar desde 2016, com a criação de uma plataforma Saas para estruturar processos de Inside Sales, algo que tende a ganhar força no “novo normal” corporativo. Durante a pandemia, a Meetime registrou um crescimento de 20%, que pode dobrar até o final de 2020. O faturamento da empresa ultrapassa R$ 4 milhões/ano.
“O que o Covid-19 fez foi acelerar a adoção do método de Inside Sales, uma vez que agora todo vendedor precisa trabalhar remotamente em função do isolamento. A implementação desse formato de vendas deve crescer muito nos próximos anos”, explica o CEO Diego Wagner.
