Um grande dilema da nossa era é promover a reconciliação dos saberes dispersos. Explicando melhor: sabemos muito mais hoje do que há meio século sobre os “universos” da mente humana, da genética, das galáxias, da física quântica, células-tronco, somos capazes de gerir processos informacionais e desenvolver tecnologias antes impensáveis. Vivemos surpresos e atormentados pelas constantes descobertas e desafios da ciência contemporânea. Entretanto, por mais que o homem avance em cada uma dessas especialidades, ele (leia-se cada um de nós) se sente menos capaz de entender o todo, de localizar-se, dar sentido à própria existência e ao fazer diário, em meio ao turbilhão de informações e novidades que assomam, estimulando e requisitando novas respostas.
É comum o sentimento de impotência e ansiedade por compreender, os avanços da ciência e da tecnologia, de alguma forma relacionar-se com eles e beneficiar-se das possibilidades que se abrem em saúde, qualidade de vida, e realização de projetos de toda ordem. Esse quadro traduz algumas das insustentabilidades do nosso tempo.
O saber compartimentado, por mais aprofundado que seja em uma determinada especialidade, não é suficiente para avançar. Ao mesmo tempo, a técnica se estabelece, firma e conforma em dado momento, enquanto a necessidade do conhecimento é infinita e complexa.
É aí que entra a proposta de um pensamento ecologizado. Não se trata de uma transformação simbiótica, mas de uma mudança na compreensão do todo pela intersecção das especialidades e de saberes diversos. A via de um conhecimento para a sustentabilidade aponta a interdisciplinaridade e a reconciliação dos saberes numa compreensão sistêmica, como o caminho para recompor os sentidos e produzir coletivamente dentro de novos parâmetros.
Essa via indica a comunicação em rede, as parcerias, as complementaridades, e que se observem os ciclos e a energia, como ocorre na natureza. É humanamente impossível abarcar num só indivíduo todas as especialidades, em termos de conhecimento, mas é desejável e compatível compartilhar saberes e multiplicar criativamente as melhores alternativas para todos.
Não significa, de modo algum, que o conhecimento seja algo instantâneo e superficial, relativo e vago. Ele deve ser, antes de tudo, crítico e profundo, reflexivo e responsável, demanda esforço, interesse e dedicação. O conhecimento exige imersão e relação, pois é um processo envolvente e infinito.
Comunicar é, por excelência, a via para reconciliar os saberes dispersos, os saberes compartimentados, os saberes antigos esquecidos, os saberes dos outros diferentes de nós, e contribuir para um conhecimento sustentável. A comunicação confunde-se com o conhecer, que por sua vez é inerente à própria forma de existir do homem.
A transformação, a religação dos saberes por meio das pessoas, vem se processando em todos os âmbitos, faz parte da mudança do paradigma de compreensão do mundo que estamos atravessando. Está presente nas universidades, nos negócios, nas discussões estratégicas governamentais e instâncias internacionais.
Comunicar é informar, interligar, motivar, emocionar, questionar, provocar, é também criar, é uma atividade inerente do próprio processo de conhecimento. Quando a ideia se expressa numa mensagem e é veiculada com grande abrangência, ela passa a fazer parte dos saberes no imaginário e na concepção de sentidos/significados do coletivo. Daí provém o potencial transformador da “mensagem publicitária”. Nessa capacidade incomparável de gestar uma nova mentalidade coletiva reside uma grande expectativa, ao mesmo tempo que acarreta uma responsabilidade proporcional.
É por isso que a atividade dos profissionais de comunicação é de suma relevância para que os saberes se reconciliem, para que a mensagem chegue “inteira” ao interlocutor, para que faça sentido na lógica e no coração. Reconciliar os saberes é orientar os sentidos (há sempre mais de um), é usar a sensibilidade para ir além de um determinado ponto de vista, desvendando novas vias para alcançar o que está por vir.
