Quando a gente olha de perto um naked cake,
o bolo sem cobertura, revelando a estrutura,
onde o sabor prevalece, acima da perfeição…
Quando a gente se orgulha do rosto marcado,
em que os sulcos denunciam nossas lutas do passado,
com mais história emergindo do que a base consegue esconder,
é porque compreendemos
que nada supera o milagre do ser.
SER VIVO, agradecido, pela bênção que é viver.
Quando a gente se percebe capaz de descer do salto,
enfrentar os sobressaltos sem tombar ou vergar,
despido das ilusões de que só vale se for perfeito,
perito em firmar o eixo entre a dor e os defeitos.
Quando a gente compreende que conquista não é sorte,
avançar é um consórcio que nós precisamos quitar,
depositando a cada dia nova dose de trabalho,
ainda que as circunstâncias pareçam não ajudar,
é porque compreendemos o milagre de mudar.
Passar do lamento à ação, sair do mute pra voz.
VIVER AO VIVO e agora, sem protelar pra depois.
Quando a gente perdoa tudo aquilo que veio antes,
as escolhas que fizemos, os “erros” dos nossos pais,
convencidos de que foi certo; não daria pra fazer mais.
Quando a gente desacelera a ponto de enxergar
que saber não é criticar, liderar não é mandar,
que julgar não é condenar como fazer não é vencer.
Não se ressinta; são etapas distintas…
Então enfim conseguimos nos tornar disruptivos.
Acatar o novo normal, mais seletivos e propositivos,
tornando a Covid um convite para sermos compassivos.
Falta o abraço, falta o sorriso, mas tenho de sobra o melhor convívio: aquele meu comigo.
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