Bodas de ouro ? 5. No começo eram dois radialistas
12 de Julho de 2011

Bodas de ouro ? 5. No começo eram dois radialistas

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Como os esportes estão em voga – pelo bem e pelo mal – acusações  não faltam aos cartolas e os resultados nas praças esportivas continuam surpreendendo os menos e aos mais avisados – avanço o sinal para lembrar uma ocorrência: propaganda e esporte também têm lá suas convergências. Nas emoções, sem dúvida e nos seus casos e ocasos raros, como se dizia na Florianópolis dos anos 1960.

Assim como a propaganda é a emoção do argumento, o esporte coletivo é o desafio da lógica. Essa figura me ocorre quando busco entender a simbiose experimentada por Rozendo Vasconcellos Lima vivendo simultaneamente as emoções do esporte, da comunicação social e do empreendedorismo empresarial.

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Conheci Rozendo como repórter,  redator esportivo, locutor e radioator na Rádio Diário da Manhã quando aqui cheguei no final de 1956. Muito simpático e gentil, embora reservado, impunha respeito com naturalidade e elegância. Com o convício diário na emissora e o conhecimento da cidade fui sabendo que era funcionário público federal – tesoureiro da SUNAB, um órgão controlador de preços – e que mantinha como hobby a atividade de treinador de futebol de salão.

Para completar o quadro Rozendo também ajudava na corretagem de anúncios para rádio, principalmente junto às lojas que tinham alguma ligação com os esportes amadores: vôlei, basquete, tênis e assim por diante.

Durante algum tempo fizemos uma dobradinha que ajudava no nosso ganho mensal. Além do contrato de locutor noticiarista e apresentador de programas de auditório na emissora eu comecei a criar e a apresentar programas e o Rozendo se encarregava de vender os patrocínios. Nessa parceria nós contávamos ainda com a participação do Zininho – Cláudio Alvim Barbosa, poeta, compositor e jinglista de grande talento.

Nesse período – de 1956 a 1962 – eu passei por duas experiências que me fortaleceram pessoalmente: trabalhei três meses na Rádio Guaíba de Porto Alegre (1958/1959) e um ano na Rádio Difusora de Itajaí de maio de 1959 a maio de 1960, dirigindo a emissora. Entre as coisas que aprendi, uma das mais importantes, é que para evoluir profissionalmente eu precisava criar o meu próprio negócio.

De retorno à Rádio Diário da Manhã de Florianópolis retomei as atividades de produção  publicitária, agora ampliando o atendimento para terceiros. Produzíamos spots, jingles e vinhetas de programas e de identificação de emissoras na própria Diário da Manhã que tinha dois estúdios – um no segundo andar onde estava o estúdio de locução e jornalismo e outro no primeiro andar que servia ao auditório  e ao radioteatro.

Como a emissora era ouvida em outros estados através das ondas curtas, nossa fama se propagou proporcionando o atendimento de clientes de outras praças. Um fato curioso é que a demanda de emissoras do estado do Mato Grosso chegava a ser maior do que a produção para emissoras de Santa Catarina. É dessa época também a criação e produção do programa As Crianças se Divertem que chegou a ser transmitido simultaneamente por 15 emissoras catarinenses.

Nessa fase nós estávamos com uma produção vertical; fazíamos o atendimento, criávamos os textos, gravávamos em discos de acetato, entregávamos para as emissoras fora da Capital e comprávamos os espaços em nome dos clientes.

Por volta de 1962, nós – Rozendo e eu – chegamos a conclusão de que estava na hora de termos o nosso próprio estúdio. Então nos deparamos com o primeiro desafio: criar uma empresa. Desse desafio surgiu a semente que deu origem a A. S. Propague, hoje Propague que em breve estará soprando as 50 velinhas de suas Bodas de Ouro.

 

Até a próxima semana, aqui neste nosso Ponto de Encontro.

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