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LISBOA, uma grande recepção.
12 de Maio de 2012

LISBOA, uma grande recepção.

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O FESTin 2012 iniciou na última quarta-feira (dia 10 de maio), na lotada sala Manoel de Oliveira – belo cinema com capacidade para 830 espectadores, centro de Lisboa – do Cine São Jorge. Na mesma noite, acontecia um protesto de cineastas, técnicos e atores em frente da Assembleia Portuguesa, reivindicando uma política cinematográfica em Portugal.  Os realizadores portugueses inquietos promoveram um belo protesto com à exibição de diversos trechos de filmes, mostrando que cinema é coisa séria e tão ou mais importante do que outras áreas, e aqui foi também um dos primeiros setores a ter o orçamento cortado diante da crise europeia.

No dia seguinte (quinta-feira), foi a estreia do “A Antropóloga”, em Lisboa,  no FESTin.  Tive que correr muito para colocar uma boa cópia no horário marcado, em função das incompatibilidades tecnológicas. A correria foi grande, mas deu tudo certo. Foi uma das melhores exibições que eu, Maria Emília de Azevedo (produtora-executiva), Eduardo Bolina e um seleto público, podemos presenciar. Estavam presentes: muitos convidados do festival; a família Gilberto Gerlach, que indo à Cannes não deixou de prestigiar os amigos em Lisboa; açorianos convidados pela Casa de Açores; estudiosos do escritor Agostinho Silva, que exilado no Brasil, participou do Grupo Sul; a mãe do ator Pedro Pitta, que emocionada assistiu o filho no papel do Pan pela primeira vez; a pesquisadora cinematográfica e especialista em Manoel de Oliveira, Maria do Rosário Lupi; cineastas representantes do sindicato que protestaram no dia anterior; a amiga e grande atriz Maria João Bastos, que saiu das gravações de uma mini-série diretamente para assistir o “A Antropóloga” e muito outros igualmente importantes.

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Desnecessário dizer que a noite foi de grandes emoções para nós três (eu, Emília e Bolina) e, creio eu, para todos que estavam no cinema. No final Gerlach me disse ao pé do ouvido: que o velho Aníbal estava ali e muito orgulhoso do filho, verdade, quase chorei; os açorianos, mesmo reconhecendo que estas crenças hoje estão mais presentes nas pessoas da Ilha de Santa Catarina do que nos habitantes da ilhas dos Açores, rasgaram elogios para o filme;  os estudiosos de um dos maiores escritores portugueses do século XX, Agostinho Silva, acharam a película de rara sensibilidade; os novos cineastas portugueses curtiram a trama; os brasileiros elogiaram os atores; e a Maria João Bastos disse que eu devo um filme com ela, pois foi a primeira convidada para o papel da Malu ( a antropóloga), mas tece que declinar em função dos inúmeros atrasos do início das filmagens….   … enfim o filme e nós representantes da equipe, elenco e do estado de Santa Catarina estamos muito gratos pela acolhida no além-mar português.

Transcrevo minhas palavras ao subir ao palco, na apresentação do filme: 

Boa Noite!

Primeiramente, gostaria de parabenizar os produtores do FESTin por esta iniciatva. Reunir os realizadores dos países de língua portuguesa e exibir seus filmes é uma ação mais do que política, é poética.

Do Brasil, trouxemos à vocês o filme “A Antropóloga”, que aborda a cultura específica na Ilha de Santa Catarina – (Florianópolis), herdada dos açorianos.

O tema de “A Antropóloga” é inédito no Brasil. Então, este filme é também uma homenagem aos ancestrais portugueses.

Aproveito para, em nome da produção do filme, solidarizar com os realizadores portugueses, a reivindicação por uma política cinematográfica em Portugal.

Por último, gostaria de dizer que é uma grande honra exibir “A Antropóloga” numa sala que homenageia um cineasta do qual sou um admirador de suas obras, Manuel de Oliveira.

Obrigado a todos os presentes e boa sessão!

CLAQUETE
– Em Lisboa, conheci Luciano Vidigal – um dos diretores do “5 vezes favela, agora por nós mesmos”, produzido por Caca Diegues. Luciano, um garoto talentoso e gente fina, está aqui com o filme Copa Vidigal. Atualmente está finalizando um filme sobre a polícia pacificadora das favelas do Rio de Janeiro, com os mesmos diretores do 5X e que tem estreia marcado para o  MOMA, nos EUA. Ë MOLE!!!!!!!!!!;

– Estão por aqui o Cláudio Assis  com o premiado “Febre do Rato”. Joel Barcelos, homenageado.  Cineastas de Angola , Moçambique e de outros países de língua portuguesa também circulam no pedaço.

– O luxuoso Hotel Vila Galé, onde estão hospedados todos os convidados fica quase embaixo da ponte 25 de abril  (data da revolução dos cravos/1974), inaugurada em  6 de Agosto de 1966, conhecida inicialmente como Ponte Salazar, mas com a designação oficial de Ponte sobre o Tejo e que lembra a nossa HERCÍLIO LUZ.

– Duas histórias do litoral de Santa Catarina são as próximas atrações no CurtaDoc no SescTV, com título de Bicho-Homem (54min) e com comentários do professor de cinema,  Alfredo Manevy. Os filmes que integram essa programação são:  Farra do Boi, o documentário, [Zeca Pires e Norberto Depizzolatti, 26min, 1991, SC]  e De volta para casa, [Richard Valentini, 24min, 2010, SC], Uma corrida de pombos-correio que acontece todos os anos na Grande Florianópolis.

A polêmica em torno desta manifestação cultural em Santa Catarina. A programação vai ao ar na terça, 15 de maio, às 21h no SescTV, com reapresentações na quarta (16) à 1h e sábado (19) às 22h SESCTV, Sky (canal 3), Oi TV (canal 28), GVT (canal 228) . Outras operadoras, consulte  www.sesctv.org.br

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