Os adultos britânicos passam, em média, duas horas e seis minutos por dia nas redes sociais, segundo a edição mais recente da pesquisa TouchPoints, realizada pelo Instituto de Profissionais de Publicidade (IPA). O levantamento, que monitora os hábitos de consumo de mídia e o cotidiano da população do Reino Unido, revela ainda que o tempo total diante de telas chegou a sete horas e 24 minutos por dia.
O estudo mostra que 73,9% dos adultos utilizam redes sociais ao longo de uma semana típica. Entre os jovens de 16 a 34 anos, esse índice sobe para quase 90%, consolidando as plataformas digitais entre os meios de comunicação mais presentes na rotina da população. Atualmente, as três propriedades de mídia mais utilizadas pelos britânicos pertencem ao universo das redes sociais.
Apesar dessa forte presença, a pesquisa aponta uma relação ambivalente dos usuários com essas plataformas. Quase 80% das pessoas entre 16 e 34 anos afirmam estar preocupadas com a quantidade de desinformação circulando nas redes sociais. Ainda assim, esse mesmo grupo permanece conectado, em média, duas horas e meia por dia.
Para Dan Flynn, diretor de pesquisa de mídia do IPA, o resultado evidencia a força exercida pelas plataformas digitais sobre os usuários.
“Todos temos diferentes motivos para acessar as redes sociais, mas o que chama atenção nesses dados é que, apesar das preocupações com a disseminação de desinformação, continuamos escolhendo utilizá-las. Isso demonstra o poder e a influência que elas exercem sobre nós.”
Além dos hábitos de consumo de mídia, a pesquisa também investigou aspectos relacionados ao bem-estar e à percepção da população sobre tecnologia.
Entre os entrevistados, 59,6% afirmaram estar satisfeitos com a própria vida. O índice varia conforme a faixa etária: entre pessoas de 16 a 34 anos, a satisfação é de 53,6%; entre 35 e 54 anos, chega a 55,3%; já entre aqueles com mais de 55 anos, alcança 66,8%.
Em relação à situação financeira, 60,2% disseram conseguir viver com a renda atual. O percentual é mais elevado entre os entrevistados acima de 55 anos, grupo em que 72,1% afirmam estar conseguindo administrar as finanças.
Os dados também indicam mudanças no comportamento social. Enquanto 86,3% dos adultos afirmam gostar de passar tempo com a família, apenas um terço concorda com a afirmação de que aprecia conviver com pessoas, culturas, ideias e estilos de vida diferentes. Segundo a WARC, esse resultado pode indicar um crescimento de comportamentos mais voltados ao próprio círculo social, tendência que também foi debatida durante o Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions.
A pesquisa mostra ainda uma visão relativamente otimista sobre a inteligência artificial. Entre todos os adultos entrevistados, 42,4% acreditam que a tecnologia tem potencial para transformar positivamente a sociedade. Entre os jovens de 16 a 34 anos, esse percentual sobe para 51,3%.
Realizada há duas décadas, a pesquisa TouchPoints acompanha a evolução dos hábitos de consumo de mídia no Reino Unido desde um período em que plataformas como Instagram, TikTok e Snapchat ainda não existiam. Segundo a WARC, o levantamento evidencia a transformação do ecossistema de comunicação ao longo dos últimos 20 anos, marcada principalmente pela ascensão das redes sociais e pela crescente disputa pela atenção dos usuários.
Um estudo citado pela WARC aponta que as redes sociais criaram uma estrutura de incentivos baseada na captura da atenção, considerada um dos ativos mais valiosos da atualidade. Esse cenário reforça o interesse de anunciantes pelas plataformas digitais, mesmo diante da possibilidade de novas restrições ao acesso de menores de 16 anos às redes sociais no Reino Unido.

Foto: Magnific
Fonte: WARC
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