1. “O sol anunciava o final de mais um dia e lá, entre as árvores, estava Andala, um pardal que não se cansava de observar Yan, a grande águia. Seu vôo preciso, perfeito, enchia seus olhos de admiração.
Sentia vontade em voar como a águia, mas não sabia como o fazer. Sentia vontade em ser forte como a águia, mas não conseguia assim ser. Todavia, não cansava de segui-la por entre as árvores só para vislumbrar tamanha beleza…
Um dia estava a voar por entre a mata a observar o vôo de Yan, e de repente a águia sumiu da sua visão. Voou mais rápido para reencontrá-la, mas a águia havia desaparecido.
Foi quando levou um enorme susto: deparou de uma forma muito repentina com a grande águia a sua frente. Tentou conter o seu vôo, mas foi impossível, acabou batendo de frente com o belo pássaro.
Caiu desnorteado no chão e quando voltou a si, pode ver aquele pássaro imenso bem ao seu lado observando-o. Sentiu um calafrio no peito, suas asas ficaram arrepiadas e pôs-se em posição de luta. A águia em sua quietude apenas o olhava calma e mansamente, e com uma expressão séria, perguntou-lhe:
– Por que estás a me vigiar, Andala?
– Quero ser uma águia como tu, Yan. Mas, meu vôo é baixo, pois minhas asas são curtas e vislumbro pouco por não conseguir ultrapassar meus limites.
– E como te sentes amigo sem poder desfrutar, usufruir de tudo aquilo que está além do que podes alcançar com tuas pequenas asas?
– Sinto tristeza. Uma profunda tristeza. A vontade é muito grande de realizar este sonho…
O pardal suspirou olhando para o chão… E disse:
– Todos os dias acordo muito cedo para vê-la voar e caçar. És tão única, tão bela. Passo o dia a observar-te.
– E não voas? Ficas o tempo inteiro a me observar? Indagou Yan.
– Sim. A grande verdade é que gostaria de voar como tu voas… Mas as tuas alturas são demasiadas para mim e creio não ter forças para suportar os mesmos ventos que, com graça e experiência, tu cortas harmoniosamente…
– Andala, bem sabes que a natureza de cada um de nós é diferente, e isto não quer dizer que nunca poderás voar como uma águia.
Sê firme em teu propósito e deixa que a águia que vive em ti possa dar rumos diferentes aos teus instintos.
Se abrires apenas uma fresta para que esta águia que está em ti possa te guiar, esta dar-te-á a possibilidade de vires a voar tão alto como eu. Acredita!
E assim, a águia preparou-se para levantar vôo, mas voltou-se novamente ao pequeno pássaro que a ouvia atentamente:
– Andala, apenas mais uma coisa: Não poderás voar como uma águia, se não treinares incansavelmente por todos os dias.
O treino é o que dá conhecimento, fortalecimento e compreensão para que possas dar realidade aos teus sonhos. Se não pões em prática a tua vontade, teu sonho sempre será apenas um sonho.
Esta realidade é apenas para aqueles que não temem quebrar limites, crenças, conhecendo o que deve ser realmente conhecido.
É para aqueles que acreditam serem livres, e quando trazes a liberdade em teu coração poderás adquirir as formas que desejares, pois já não estarás apegado a nenhuma delas, serás livre!
Um pardal poderá, sempre, transformar-se numa águia, se esta for sua vontade. Confia em ti e voa, entrega tuas asas aos ventos e aprende o equilíbrio com eles.
Tudo é possível para aqueles que compreenderam que são seres livres, basta apenas acreditar, basta apenas confiar na tua capacidade em aprender e ser feliz com sua escolha!” (autor desconhecido)
2. A publicidade brasileira perdeu a graça. Já não se vê mais aqueles comerciais vestidos de um humor sutil que encantou o mundo.
As mensagens ficaram sérias demais, como se os publicitários perdessem seu senso de humor. O consumidor já não espera mais o intervalo policial para rever aqueles comerciais engraçados. Ou para ver “o que esse pessoal as publicidade está aprontando agora.
3. O que está acontecendo, o talento sumiu? Já não há mais cabeças brilhantes na área de criação das Agências? Os prazos, excessivamente curtos, tolhem a busca de uma ideia melhor? Já não se fazem mais
Clientes boa cabeça como antigamente? O país ficou mais tenso, mais triste?
4. Nada disso. O grande vilão deste momento ruim da criativcidade publicitária brasileira tem um nome. Chama-se computador.
5. “Isso é coisa de velho”, você deve estar pensando.
Mas não é.
6. A área criativa das Agências perdeu a alegria e a espontaneidade de antigamente. Até há alguns anos era comum a criação estar descontraída, risonha, trocando piadas, fazendo brincadeiras.
Hoje o regime é de silêncio absoluto. Todo mundo fica o tempo todo de olho no computador, como se a verdade e a inspiração estivesse ali.
É um bando de pardais, no máximo consultando os anuários e invejando as águias que criaram o que está registrado ali.
7. Isso não basta. A criação precisa voltar a ser um ambiente onde as conversas, as trocas de ideias, a espontaneidade aconteçam naturalmente. E isso só vai acontecer quando, ao invés diretores e arte e redator deixem de trabalhar um ao lado do outro e passem a se encarar, frente a frente.
Sem que haja um computador entre eles.
Como a águia disse ao pardal,
“Tudo é possível para aqueles que compreenderam que são seres livres, basta apenas acreditar, basta apenas confiar na tua capacidade em aprender e ser feliz com sua escolha!”
8. Então, a publicidade voltará a ser uma coisa gostosa de ver.
