por Guilherme Deczka
Sempre fui um grande apreciador das novas tecnologias na produção de rádio, TV e Internet. Por este motivo aceitei o convite de um grande amigo para visitar pela primeira vez a NABShow em Las Vegas em Abril de 2007. A partir daquele ano, iniciei uma peregrinação anual à feira que apresenta para o mundo as últimas novidades do mercado de comunicação.
Com o passar dos anos, as televisões foram ganhando qualidade, aumentando o tamanho de suas telas e diminuindo suas profundidades. Estações de rádio tornaram-se digitais e as mesas de som gigantescas foram substituídas pelos pequenos iPads. A Internet, que no começo era um luxo para envio de informações, hoje é tão essencial quanto às antenas de transmissão tanto no rádio quanto na TV.
Mas a NABShow é como um desfile de moda. Apresenta apenas as tendências da produção para os próximos anos. Nem tudo acontece da maneira como foi planejado e a cada ano um assunto toma conta dos principais stands. Primeiro as TVs tela plana, depois o Plasma e o LCD que logo migrou para os grandes formatos fazendo com que os gigantescos tubos desaparecessem. Nos anos seguintes, a Internet passou a ser o diferencial, primeiro com os codecs de compressão para publicação dos vídeos em portais como Youtube, depois com o armazenamento na nuvem e por último, a edição de vídeo nas nuvens. Impossível na estrutura de Internet do Brasil, eu sei, mas perfeitamente aplicável em países desenvolvidos.
No ano passado participei da cobertura do AcontecendoAqui e junto com o Jailson de Sá (editor deste portal) percebi que o 3D seria a grande tendência para os próximos anos. A maioria dos fabricantes brigava por telas maiores, sem a utilização de óculos especiais e chegamos a ver até holografias em 3D a partir de aparelhos celulares. Algo muito além das expectativas. Nosso maior engano foi acreditar na tendência, pois de um ano para outro o 3D foi simplesmente esquecido.
2013 foi o ano do 4K. Mesmo com 90% do mundo ainda querendo implementar a televisão HD, a resolução quatro vezes maior tomou conta da exposição. A Dolby foi a única marca a insistir no 3D, e teve um desprestigiado stand no pavilhão sul próximo à área destinada ao Brasil. O que pude entender com todo este processo é a tentativa de chegar a uma resolução cada vez mais próxima do olho humano, para somente a partir daí criar um 3D com toda a qualidade do mundo. Especialistas no assunto acreditam nessa hipótese já no próximo ano e indicam a Dolby como a possível responsável pelo projeto.
Infelizmente a tecnologia anda mais rápido do que a estrutura de nossas emissoras. Enquanto o mundo respira 4K e já pensa no 4K3D teremos que nos contentar a receber um sinal HD. Mas não nos preocupemos… isso não é privilégio somente do Brasil.
Mas falando em Brasil, fico feliz em representar o país mais prestigiado da NAB2013, com um modelo de TV digital que é referência para outros países, e com o maior número de visitantes excluindo os americanos. APEXBrasil , SET, Ministério das Comunicações e EBC criaram uma estrutura invejável para receber visitantes de todos os cantos do mundo. Um ponto de encontro descontraído com apresentação de empresas brasileiras em um dos locais mais movimentados da feira. Para o próximo ano, com a realização da Copa do Mundo logo em seguida à feira, acredito que pelo menos em matéria de marketing e comunicação, o Brasil dará um banho no resto do mundo. Essa eu não posso perder.



