1. No Ceará, cabaré processa Igreja Universal
Em Aquiraz, no Ceará, dona Tarcília Bezerra construiu uma expansão de seu cabaré, cujas atividades estavam em constante crescimento após a criação de seguro desemprego para pescadores e vários outros tipos de bolsas.
Em resposta, a Igreja Universal local iniciou uma forte campanha para bloquear a expansão, com sessões de oração em sua igreja, de manhã, à tarde e à noite.
O trabalho de ampliação e reforma progredia célere até uma semana antes da reinauguração, quando um raio atingiu o cabaré queimando as instalações elétricas e provocando um incêndio que destruiu o telhado e grande parte da construção.
Após a destruição do cabaré, o pastor e os crentes da igreja passaram a se gabar “do grande poder da oração”.
Então, Tarcília processou a igreja, o pastor e toda a congregação, com o fundamento de que eles “foram os responsáveis pelo fim de seu prédio e de seu negócio” utilizando-se da intervenção divina, direta ou indireta e das ações ou meios.”
Na sua resposta à ação judicial, a igreja, veementemente, negou toda e qualquer responsabilidade ou qualquer ligação com o fim do edifício.
O juiz a quem o processo foi submetido leu a reclamação da autora e a resposta dos réus e, na audiência de abertura, comentou:
– Eu não sei como vou decidir neste caso, mas uma coisa está patente nos autos.
“Temos aqui uma proprietária de um cabaré que firmemente acredita no poder das orações e uma igreja inteira declarando que as orações não valem nada!”.
2. Outro dia o Walter Teixelo de Jesus, o melhor produtor gráfico com quem já trabalhei – e olha que só trabalhei com nego bom nessa área – me mandou esse causo que acabo de narrar.
Então, eu me lembrei das agências e da situação delas quando disputam uma conta.
3. Não raro, o prospect recebe o representante da agência e vem logo com esse papo:
“Já ouvi falar de vocês. E gostei do seu portfólio, mas como tenho outras agências se apresentando, quero que vocês me tragam um anúncio sobre a minha empresa.”.
Ou então;
“Aqui está um brief, Criem uma campanha. Se for melhor do que a das outras agências concorrentes, fico com vocês.”
Muitas agências caíram nessa. Dedicam o tempo que deveriam dedicar aos que já são clientes, entregam boas idéias aos prospects e saem de mão abanando.
Um dia, abrem o jornal ou as revistas ou ligam a TV, e vêem, as idéias delas estão lá. De graça.
4. Bem, a ABAP vem orientando suas associadas para que não caiam nessa. Algumas não resistem: a tentação é grande demais.
5. A questão não é apresentar, ou deixar de fazê-lo, uma campanha.
A questão é que fazer uma campanha é o último passo que uma agência deve dar.
Antes dele, há toda uma análise do marketing do cliente, de que forma a agência pode contribuir para corrigir as falhas encontradas, a análise da marca e de como o consumidor a percebe.
Mas claro: pra fazer isso, a agência tem de estar segura de que o prospect não é prospect. É Cliente.
E são raros os Clientes que têm uma metodologia a seguir na hora de mudar de agência, para poder tomar uma decisão com o mínimo de risco.
6. Pois todo anunciante deveria ter esse método na gaveta, pronto para ser utilizado quando preciso – afinal, ninguém sabe o dia de amanhã. A decisão correta na escolha de uma agência significa menos dor de cabeça. E muito mais lucro.
7. Se não tiver essa metodologia, na hora de escolher uma agência o anunciante se verá na mesma enrascada do juiz da história que o Walter me mandou: achando que todas as agências têm razão.
