A Natura e a transexualidade na propaganda. A polêmica vale a pena?

31 de Julho de 2020

“É um processo de inovação na comunicação..." diz professor da ESPM

Imagem: Reprodução Instagram

 

As críticas negativas sobre a campanha do Dia dos Pais da Natura protagonizada pelo ator transexual Tammy Miranda --inclusive com pedidos de boicote à marca -- não afetaram o desempenho da empresa na bolsa de valores. Pelo contrário. Nos últimos 3 dias, a ação da Natura registrou uma valorização de 7%.

É provável que os investidores estejam precificando as inovações na companhia na comunicação, com a opção pela diversidade e o diálogo com públicos mais jovens. Para o professor do curso de Publicidade e Propaganda da ESPM Rio, Rafael Nascimento, a Natura buscou reforçar na campanha o conceito de normalidade, entendendo que assim pode ampliar a representatividade de sua base de consumidores. “Não se trata somente de uma mudança de posicionamento, mas sim uma discussão da pluralidade da sociedade atual”, diz Nascimento. “É um processo de inovação na comunicação que traz bastante repercussão nas redes sociais.”  

Porém, o especialista adverte que para ser realmente representativo é preciso ir além da evolução na comunicação. “Quando as marcas se tornam mais inclusivas acabam representando a sociedade e o impacto financeiro é positivo”.

Recentemente, a Nivea contratou uma mulher transexual de 62 anos para ser influencer da marca. A campanha de Dia dos Namorados de O Boticário em 2015 trazia um casal gay, o projeto L’Oréal Plural tem a meta de construir uma empresa mais diversa e a Dove, da Unilever, foi pioneira em incluir a chamada mulher real em seus anúncios.

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