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Nada supera o trabalho.
12 de Fevereiro de 2014

Nada supera o trabalho.

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Se toda hora gasta em suposições fosse dedicada à concretização de ideias, teríamos uma convivência muito mais harmônica nas empresas.

 

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Não existe elemento com maior capacidade de concentrar interesse e proporcionar uma condição favorável ao entendimento do que o produto do trabalho. Trata-se, no entanto, de uma evidência que pouca atenção tem merecido. Ao contrário, vive-se em reuniões. Uma reunião emendada na outra.

 

Entenda-se a minha crítica às reuniões dentro do conceito com que elas costumam ser fomentadas, como um viveiro de achismos, tão inútil quanto inútil possa ser qualquer debate sem a presença do terceiro de quem se fala e que será o decisor final: o cliente.

 

Nas agências de publicidade, os profissionais de atendimento e planejamento acreditam ser os porta-vozes das crenças dos clientes. E muitas vezes tornam-se verdadeiros “procuradores”, inclusive, das vontades deles. Isso não tem nada de antinatural, embora possa levar a atitudes pouco profissionais. Não é antinatural porque é próprio da condição humana.

 

Pode-se dizer que “por osmose” a tendência é a gente incorporar uma cultura específica, como decorrência de uma convivência frequente e dramaticamente necessária.

 

Escapar dessa armadilha é um desafio e tanto. Como recuperar o “ser” que antecedeu o “tornou-se”? Essa é uma reflexão a que todos deveriam se submeter, a fim de fazer reuniões mais produtivas.

 

Para azar da produtividade a regra é ocorrer o contrário. Vão todos para esses encontros armados de argumentos com poder neutralizador sobre as ideias dos outros. Medimos nossa eficiência pelas “vitórias” retóricas conquistadas nessas ocasiões.

 

Ao longo de quase 40 anos de carreira, conheci muitos tipos “com quem não adianta discutir”. Verdadeiros obstáculos para a celeridade do crescimento da empresa, obrigavam-nos a voltas imensas e custosas para alcançarmos parcialmente nossos objetivos.

 

Entendo que para que as coisas fluam é preciso, em primeiro lugar, de sabedoria para identificar e assumir os próprios limites. Para, em seguida, estimular a superação deles através dos outros.

 

Ninguém reúne todas as qualidades necessárias para coisa nenhuma.

 

Ao falarmos de especialista, deveríamos nos referir a alguém que se especializou na busca de conhecimento sobre determinado assunto.

 

O especialista pronto é o especialista burro. Ele faz da sua “especialização” um elmo para se proteger da diversidade, da contribuição essencial para atender a dinâmica necessária para o resultado criativo.

 

Enfrentar esse problema em nós mesmos e no âmbito da empresa é uma tarefa complexa e de longo prazo. Não podemos esperar tanto tempo. Daí, o recurso do trabalho corporificado, como recurso aglutinador insubstituível e que dá sentido concreto às reuniões.

 

Vale a pena o exercício. Uma, duas, dez, cinquenta vezes, e o método, quem sabe, acabe virando uma saudável rotina para o bem de todos.

 

Experimente.

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