Uma amiga que leu um texto meu, envia observações falando sobre linguagem sexista. Confesso que nunca tinha antes pensado nisso, então fui ao Google e fiquei sabendo que o assunto é sério mesmo, que existem movimentos organizados lutando por mudanças linguísticas para proteger psicologicamente a mulher de um alegado jugo machista. Resumindo de forma bem simplista, médicos não é genérico, portanto deveríamos falar médicos e médicas quando não nos referimos a um especificamente.
Talvez por não ser nenhum filólogo, verifico que o assunto é muito mais complicado do que parece. Me fez lembrar que quando era criança, tínhamos uma vizinha que, em tom de piada, me chamava de crianço. E de uma amiga que, querendo dar seu nome à descendência e tendo filho homem, chamou-o de Odeto. E de um vendedor numa empresa em que trabalhei, que se chamava Arlete (se não termina em a, o nome não é feminino, certo?) e que sofria todo tipo de gozação dos companheiros de equipe – se estivessem juntos em um supermercado, shopping center, aeroporto, os amigos davam um jeito de pedir que ele fosse chamado pelo sistema de som – e lá vinha “senhora Arlete… favor comparecer ao balcão tal”. Lidar com a língua não é coisa tão fácil não.
Mas, voltando à linguagem sexista, quem tiver curiosidade e interesse e for ao Google, vai inclusive encontrar uma cartilha. Muito interessante que lá consta “ente”, como uma das terminações que admitem a forma feminina. Logo, presidente pede presidenta. Só que um pouco adiante aparece a mesma terminação como sendo generalista. Estranho, não acham? A tal cartilha deve ter sido feita depois da eleição da Dilma Roussef.
Aliás, por falar nela, outro dia em reunião com prefeitos de todo Brasil, num arroubo raivoso ela disse ”vocês são prefeitos e eu sou presidenta…”. Além do extremo pedantismo, para ser coerente deveria ter dito “vocês são prefeitos e prefeitas e eu, presidenta”. Ou então, mais correto ainda, “vocês são gestores municipais e eu, federal”. Mas ninguém fala assim. O fato é que, seguindo a cartilha, eu posso dizer “a presidenta mostrou-se incompetenta para entender a mensagem das ruas nas manifestações de junho”. O que é uma verdade, não importa como se escreva.
Imaginem um repórter descrevendo um evento: “os(as) presidentes(as) de entidades de médicos(as), advogadas(os), engenheiros(as), publicitárias(os) estão atentos(as) às reivindicações das classes”. Ou pior ainda, “na tragédia, ficaram feridos(as) vários(as) operários(as) e servidoras(es)”. Claro que existem outras formas de escrever evitando os parênteses, mas estou enfatizando como é complicado, inclusive levando a alternar o que vem em primeiro lugar, feminino ou masculino, para não caracterizar machismo.
No entanto, como o assunto é sério e faz parte de um movimento organizado, não há dúvida de que vai crescer e tomar vulto. Então, sugiro aos redatores e às redatoras de agências de publicidade que procurem saber mais sobre o tema e busquem formas menos sexistas em suas mensagens de venda.
Coisas do politicamente correto. Argh!
