
AcontecendoAqui – Apesar de pertencerem à mesma área de conhecimento, o Jornalismo e a Publicidade e Propaganda são muito diferentes. Você estudou jornalismo e hoje trabalha numa produtora. Na sua opinião, como é possível trabalhar na agência, sendo que a demanda nela exigida é diferente da sua formação?
Jessé Torres – Apesar de atuar no Grupo Media Effects, cujo foco é a produção publicitária, trabalho na assessoria de comunicação em três frentes: assessoria de imprensa, comunicação digital e um pouco de relações públicas. Na assessoria de imprensa, utilizamos técnicas do jornalismo para inserir o assessorado no espaço editorial dos veículos de comunicação com o objetivo de construir uma imagem positiva. O jornalista que decide enveredar para a assessoria de comunicação sabe que lhe serão exigidos conhecimentos, habilidades e experiências que vão um pouco além do jornalismo. Os cursos de graduação já trazem disciplinas de comunicação empresarial, uma vez que um número expressivo de jornalistas brasileiros trabalha em assessoria.
AAqui – De que forma você se preparou para exercer a sua atual função? Foi necessário realizar algum curso, ou as lições surgem com a rotina de trabalho?
J.T. – Um ano depois de me graduar, decidi cursar um MBA em Gestão da Comunicação para aumentar meus conhecimentos na área da comunicação organizacional. Também tive outras experiências profissionais em assessoria de comunicação. O fato de eu ter trabalhado como redator de agência por um ano e meio também me deu um conhecimento sobre o mercado publicitário que me ajuda no trabalho no Grupo Media Effects, mas isso foi por acaso.
AAqui – Você atua hoje numa agência de propaganda por opção ou as oportunidades do mercado para o jornalismo são poucas no Estado? Tem alguma relação com salários essa escolha também?
J.T. – O mercado de trabalho para jornalistas em Santa Catarina é um pouco restrito, e tradicionalmente os salários são mais altos na assessoria de imprensa, então muitos profissionais rumam para essa área.
AAqui – Qual é a rotina e quais as funções de um jornalista numa agência de propaganda?
J. T. – No meu caso, a rotina é a de uma assessoria de comunicação como qualquer outra: leitura, clipagem, pauta, apuração, redação, contato com jornalistas, reunião com a diretoria, produção de conteúdo, publicação em site, blog e redes sociais, envio de newsletter, acompanhamento e monitoramento desses canais on-line, entre muitas outras atividades.
AAqui – Com quais departamentos você mais interage no dia-a-dia?
J.T. – Todos, mas em especial a diretoria e a MFX Digital, que também trabalha em projetos para a assessoria de comunicação do Grupo, como site, blog, newsletter…
AAqui – Existe conflito com as assessorias de imprensa dos clientes da agência?
J.T. – Não. Pelo contrário, procuramos trabalhar em sinergia com as assessorias de imprensa das agências parceiras e dos clientes.
AAqui – Você tem contato também com os clientes? Quais são as maiores demandas deles?
J.T. – Entro em contato com clientes para checar informações dos press releases ou pegar depoimentos…
AAqui – E para o futuro, você carrega a pretensão de seguir na publicidade, ou retornar para o jornalismo?
J.T. – Não acho que eu tenha saído do jornalismo, e por enquanto pretendo seguir.
Confira também a entrevista de Amanda Busato, Assessora de Comunicação da D/Araújo e de Bruna Nicolao, assessora de imprensa da Exit Comunicação Estratégica.
