O AcontecendoAqui procurou agências de propaganda e fornecedores do setor em Santa Catarina para saber se havia jornalistas trabalhando na empresa. Encontramos poucos. Com eles fizemos uma pequena entrevista para mostrar aos nossos leitores como é a rotina de um jornalista na função de divulgar os negócios envolvendo publicidade e propaganda.
AcontecendoAqui – Apesar de pertencerem à mesma área de conhecimento, o Jornalismo e a Publicidade e Propaganda são muito diferentes. Você estudou jornalismo e hoje trabalha numa agência de publicidade. Na sua opinião, como é possível trabalhar na agência, sendo que a demanda nela exigida é diferente da sua formação?
Bruna Nicolao – Em uma agência como a Exit, que pensa estrategicamente a comunicação dos seus clientes, existe espaço para profissionais de publicidade e de jornalismo. Somos em duas profissionais na Assessoria de Imprensa, eu e a Debora Kellner, também jornalista. Trabalhamos com nossos clientes oferecendo soluções em multicanais e de forma integrada. Desta forma, um assessor de imprensa e gestor de conteúdo para publicações e redes sociais é peça importante na equipe de comunicação estratégica.
Atualmente, a comunicação reúne um conjunto de atividades para reposicionar marcas e reforçar a imagem da empresa. E o relacionamento com a imprensa torna-se ação fundamental, assim como a gestão dos meios digitais e da comunicação interna do cliente. Com as novas tecnologias surgindo, as empresas estão visualizando a necessidade de conversar com diferentes públicos em multicanais. Compreendem que produzir conteúdos, discursos e linguagens em diversos formatos é mais assertivo.
AAqui – De que forma você se preparou para exercer a sua atual função? Foi necessário realizar algum curso, ou as lições surgem com a rotina de trabalho?
B.N. – Busquei uma especialização logo após a formação em jornalismo, quando eu já sabia que trabalharia com comunicação empresarial. Tenho pós-graduação em Comunicação Empresarial e Relações Públicas. Mas, meu maior preparo é estar no mercado de trabalho há seis anos como assessora de imprensa. Foi a convivência e a troca com profissionais que já estão há mais tempo fazendo comunicação empresarial que contribuíram para o meu conhecimento e crescimento.
AAqui – Você atua hoje numa agência de propaganda por opção ou as oportunidades do mercado para o jornalismo são poucas no Estado? Tem alguma relação com salários essa escolha também?
B.N. – Foi por opção e não questões salariais, até porque isso é muito relativo.
Desde que fiz estágio na área de assessoria de imprensa já me encantei. A maioria dos estudantes de jornalismo entra na faculdade querendo ser repórter de jornal impresso ou TV. No meu caso, queria atuar na televisão. Tive uma experiência em uma emissora catarinense, mas logo percebi que não queria a loucura da reportagem diária para minha vida. Quero que meus clientes apareçam, quero que eles estejam na mídia, mas para isso tem que entender o outro lado, compreender o que a imprensa precisa e ter atuado como repórter foi importante para esse entendimento.
Mesmo estando do lado da fonte, não deixei de ser repórter. Além do trabalho de assessoria de imprensa, produzo e edito informativos internos para as empresas. Ouço histórias incríveis dentro das fábricas e dou o toque jornalístico aos materiais.
AAqui – Qual é a rotina e quais as funções de um jornalista numa agência de propaganda?
B.N. – Jornalista dentro da agência precisa ser versátil, estar sempre antenado e informado, principalmente das novidades do segmento e das novas mídias. Na Exit tenho o respaldo dos Atendimentos, da outra colega jornalista e da área de Planejamento e Coolhunting que me auxiliam nas estratégias.
Na assessoria de imprensa, monitoro a clipagem dos clientes, agendo e acompanho entrevistas dos executivos, produzo releases e notas, estou sempre em contato com a imprensa para manter relacionamento e participo de reuniões com todas as áreas da agência para estar integrada das ações.
Na gestão de conteúdo para redes sociais, produzo textos e defino fotos para os posts e alinho a melhor estratégia das ações mais importantes com a área de Planejamento.
Na edição de materiais impressos para comunicação interna das empresas, faço o trabalho de um repórter e editor de jornal.
AAqui – Com quais departamentos você mais interage no dia-a-dia?
B.N. – Com o Atendimento, apesar do assessor de imprensa ter contato direto com o cliente; com o Planejamento; com a Criação, quando escrevo textos sobre campanhas publicitárias na assessoria de imprensa da Exit; com a Finalização, para acompanhar a diagramação dos jornais internos; com a Mídia, para alinhar contatos da imprensa; e com a Produção, para manter o cronograma de entrega dos informativos internos ao cliente.
AAqui – Existe conflito com as assessorias de imprensa dos clientes da agência?
B.N. – Não. Sou assessora de imprensa de alguns clientes da agência.
AAqui – Você tem contato também com os clientes? Quais são as maiores demandas deles?
B.N. – Tenho contato direto. Geralmente, as solicitações surgem nas reuniões semanais com o cliente, definimos a pauta dos informativos internos e àquelas que produziremos release para imprensa.
AAqui – E para o futuro, você carrega a pretensão de seguir na publicidade, ou retornar para o jornalismo?
B.N. – Trabalho com jornalismo dentro de uma agência que tem como foco a publicidade. As soluções são entregues com um trabalho integrado de toda a equipe composta por diferentes profissionais (publicitários, designers e jornalistas) e o resultado é gratificante e recompensador. Pretendo continuar atuando com comunicação empresarial e agregando nas soluções estratégicas para as empresas.
