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Entrevistamos Gabriel Araújo, novo diretor de criação da OneWG.
27 de Junho de 2013

Entrevistamos Gabriel Araújo, novo diretor de criação da OneWG.

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Gabriel_OneWG_320Gabriel Araujo, publicitário, diretor de criação, premiado nacional e internacionalmente, atuando na área há 15 anos, conversou com o AcontecendoAqui. Confira uma entrevista repleta de boas referências e muito conteúdo.

AcontecendoAqui – Publicitário atuante em agências de propaganda no mercado paulista há 15 anos, qual foi sua trajetória até mudar-se para Santa Catarina?

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Gabriel Araújo – Comecei muito cedo a gostar de publicidade. Quando era criança, gostava mais de assistir os intervalos do que os programas de tv. Com o passar dos anos isso não mudou e a publicidade virou a grande paixão da minha vida. Comecei com 14 anos como estagiário na CMB, uma agência pequena de São Paulo mas que tinha clientes grandes como a Casio. Pouco tempo depois já estava despontando em agências maiores. De lá pra cá foram Young&Rubicam, Super, Etco, Ogilvy e a última agência que passei por lá foi a Dim&Canzian, que é uma hotshop e, hoje, está entre as mais criativas do mercado em São Paulo. Ajudei muito nesse processo de evolução da agência e fico feliz de saber que fiz parte dessa construção. Também tive a oportunidade de trabalhar para agências em Nova York como Tipping Sprung e Victor & Spoils e freelar para muitas agências grandes de São Paulo, Alemanha e Dubai.

AAqui – Com carreira pavimentada por grandes agências no maior mercado brasileiro, o que te motivou a encarar um mercado regional como Santa Catarina?

G. A. – O desafio.
Primeiro o desafio de transformar pequenas verbas em grandes campanhas.
O desafio de criar campanhas ainda mais simples e criativas.
O desafio de inovar.
Num mercado com grandes verbas, temos mais recursos e isso facilita um pouco as coisas, agora fazer propaganda com limitação de tempo e verba é uma tarefa para poucos.
Você tem que focar na ideia e não dá pra aceitar nada menos que uma ideia realmente consistente. Não dá pra ser criativesco, muito menos cair no conformismo de fazer o trivial. O desafio que o mercado catarinense oferece é único e eu vou batalhar para fazer o melhor trabalho possível por aqui.

AAqui – É normal um profissional de grande centro impactar-se com o ritmo de mercados menores. Como foram as primeiras semanas por aqui?

G. A. – Foi uma surpresa muito boa. A galera está aberta a absorver meu ritmo de trabalho, já que eu cheguei no ritmo de São Paulo e quero acelerar ainda mais por aqui, pois só trabalhando com agilidade, a gente consegue tempo para fazer propaganda que acreditamos.

AAqui – O que mudou na estrutura da criação da One com a sua chegada e o que ainda pretende mexer?

G. A. – Mudou o jeito de trabalhar. Cada diretor de criação tem seu estilo. O meu é acelerado, criterioso mas não gosto de deixar ninguém trabalhando até tarde todo dia, muito menos virando noite, a não ser que seja realmente necessário. Mas também não aceito ideia no meio do caminho indo para o cliente e para a rua. Temos que entregar qualidade sempre e nunca enxergar o job como um problema e sim como um desafio. Tirar da frente é uma expressão que não existe no meu vocabulário. Porque o cliente não paga pra gente tirar da frente, ele paga pra gente surpreender.
Isso já está na cabeça de todo mundo por aqui e é perceptível que a equipe está comprometida com esse desafio de elevar a qualidade. E, pra minha felicidade, nosso time é experiente, consistente e tem me surpreendido a cada dia.

AAqui – A OneWG é uma das maiores agências do Estado. Qual a estrutura da criação e como ela funciona enquanto agência com boa expertise em varejo e produtos de consumo?

G. A. – O que achei bacana desde que cheguei aqui é que a agência tem uma estrutura muito parecida com as agências de São Paulo. Afinal, 8 duplas de criação poucas agências do mercado têm.
Sem contar que OneWG tem uma área totalmente dedicada aos clientes de varejo. E isso é um grande diferencial.
Eu costumo dizer que esquecer da Classe C é suicídio. E quando falamos de varejo, falamos exatamente de como estabelecer um grande impacto na Classe C e aqui na agência isso está na veia do nosso núcleo de varejo.
A expertise das pessoas que estão aqui, tem tornado a criação mais estratégica e feito grandes campanhas, para clientes como Milium, Koerich, Floripa Shopping, Makenji, Dalton Andrade, Gabriela Calçados e Studio Z, gerar resultados surpreendentes.

gabriel one 1AAqui – É desafio para qualquer DC ter sua agência posicionada no ranking das mais criativas. Como você pretende levar a OneWG para esse patamar?

G. A. – Jaílson, aqui só tem um jeito: dedicação. Na minha carreira inteira, os trabalhos dos quais tenho mais orgulho são aqueles que tiveram a maior dedicação, não só minha como de todos os envolvidos, inclusive dos clientes. Todos sabem que trabalho com resultado que surpreende depende de muita dedicação. Resta a mim e a equipe trabalharmos juntos na busca pelo diferente. Sempre começo a pensar uma campanha buscando uma coisa nova para o cliente, que seja capaz de chamar a atenção dos consumidores e provocar engajamento. Eu, por exemplo, adoro publicidade de mídia impressa, mas nem sempre é a melhor saída. Não podemos nos intimidar com o desconhecido e, se não sabemos como algo funciona, vamos descobrir, porque somos apaixonados pelo que fazemos. É um processo mais simples do que se imagina. Claro que as coisas mais simples, às vezes, são as mais complicadas. O importante em nossa estratégia é ficar sempre na faixa dos 10% de publicidade brilhante e não na outra parte de 90% que não tem nada interessante. Não quero dizer que tudo o que vamos criar será brilhante, mas sim que vou buscar isso em todo e qualquer trabalho. Só assim poderei elevar o sarrafo e tornar a OneWG a agência mais criativa e premiada do estado.

AAqui – Prêmio na propaganda é reconhecimento à qualidade criativa do publicitário. Quais prêmios você já conquistou na carreira?

G. A. – Há muita gente que considera prêmio uma massagem de ego, acha que não é importante investir nesse tipo de coisa e, sinceramente, estão errados.
O prêmio é um reconhecimento muito importante não só para o criativo, mas principalmente para a agência e para o cliente. Se você observar o Festival de Cannes por exemplo, deixou de ser um festival para criativos para se tornar um festival que discute tendências de todas as áreas, frequentado por criativos, marqueteiros e clientes. Prêmio é o que diz se o trabalho que você vem executando está alinhado com o que é tendência no mercado brasileiro e mundial, se está surpreendendo, se seu trabalho é referência ou não para outras pessoas. Não é massagem de ego, é necessidade.
Ao longo da minha carreira tive a oportunidade de ganhar prêmios como Clio Awards, One Show Interactive, Jay Chiat, El Ojo de Iberoamérica, CCSP, Colunistas, Wave, APP, além de no último Festival de Cannes ter emplacado 3 shortlists nas categorias Direct, Midia e Promo/Activation e ter meu trabalho citado no Most Contagious, o anuário de tendências mais importante da propaganda mundial.

AAqui – No contraponto dos prêmios há a necessidade de gerar resultados efetivos aos negócios dos anunciantes. Fale um pouco sobre esse aspecto.

G. A. – O prêmio é consequência de um trabalho consistente e criativo. Não dá pra focar os esforços da agência em fazer propaganda premiável. Mas temos que concentrar todos os nossos esforços na propaganda do dia a dia, para que ela surpreenda, conquiste resultados incríveis para os clientes e ainda traga prêmios para a agência. Está aí o modelo adotado pela Almap que não me deixa mentir.

AAqui – Ganha importância a cada dia o uso do ferramental digital como as redes sociais, novas mídias e a tecnologia aplicada à comunicação. Como funciona hoje essa área na agência e como a OneWG se prepara para novos desafios nesse segmento?

G. A. – A parte boa de assumir a criação da OneWG foi descobrir que a equipe é multiplataforma. Alguns mais ligados ao digital, outros menos, mas todo mundo em sintonia para pensar em saídas mais inteligentes para qualquer tipo de job. Meu trabalho mais premiado, foi uma ação que uniu social media com e-commerce, então quero dizer que o digital está na veia. É uma questão de entender as plataformas, as tecnologias disponíveis e surpreender. Acredito que se a comunicação é muito literal e racional, ela não mexe com as pessoas emocionalmente. Ninguém passa um vídeo do youtube para um amigo porque o vídeo faz sentido – e sim porque é engraçado, emocionante, triste, feliz, etc. Se a gente for incapaz de enxergar isso, então temos que repensar uma série de coisas na hora de criar para digital.

AAqui – Terminou no final de semana a 60ª edição do Cannes Lions Festival, maior evento sobre criatividade do mundo. O que você diz sobre o resultado do Brasil e o que mais chamou sua atenção neste ano?

G. A. – O resultado do Brasil já era esperado, sempre vamos bem no festival. Agora, o que mais surpreendeu no Festival desse ano foram os GP’s de Outdoor, Cyber e Titanium. Outdoor uma campanha simples e brilhante para IBM. Em Cyber a campanha The Beauty Inside da Pereira & Odell, que engajou muita gente. E em Titanium, o primeiro premio brasileiro da categoria, uma campanha sensível e verdadeira para Dove. A Ogilvy matou a pau esse ano.
O Festival de Cannes é uma incrível aprendizagem. A gente vê tudo o que ganhou lá e fica com inveja, as vezes nervoso, as vezes um pouco chateado, mas sempre incrivelmente inspirado. A cada festival que termina eu tenho vontade de trabalhar mais e melhor, para conseguir produzir publicidade de alta qualidade.
É fundamental para quem trabalha em propaganda pelo menos acompanhar o festival. Mas gostoso mesmo é participar. É emocionante.
Afinal, é momento certo para avaliar o que o mercado está fazendo, como as outras agências estão enxergando briefings que você também tem no seu dia a dia e pensar em como você vai poder fazer propaganda diferente. Pelo menos enxergar caminhos para isso.

AAqui – Chegar à “grande ideia” é o desafio permanente do publicitário. E, numa agência de propaganda, os criativos são os mais cobrados nesse aspecto? Quais as técnicas que os criativos usam ou deveriam usar para ter ideias geniais?

G. A. – Vivenciar novas experiências, viajar, falar com estranhos e observar.
Mas, acima de tudo, 4 pontos fundamentais:
Voracidade, energia, espontaneidade, talento e dedicação.
Não tem fórmula de sucesso, tem esforço. Você pode ter uma ideia genial, mas se a execução não for perfeita, se a produção ficar no meio do caminho, se alguma parte do job deixar a desejar, pronto, não cumprimos o prometido. Não existe técnica, mas existe referencia, tempo e dedicação. Só com dedicação é possível surpreender.

AAqui – Uma mensagem final aos publicitários catarinenses.

G. A. – Sejam vocês mesmos e não o cargo que vocês tem. Sejam pessoas.
Comportem-se e comuniquem-se como pessoas. Isso já ajuda muito.
Só com o nosso DNA a favor das marcas, com a nossa expertise e nossa dedicação, vamos conseguir fazer trabalhos cada vez mais criativos e elevar o nível de qualidade do mercado.

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