Para o torcedor escocês, o otimismo costuma vir acompanhado da expectativa de uma nova decepção. Após décadas de campanhas frustradas, eliminações dolorosas e raros momentos de glória, acompanhar a seleção da Escócia virou quase um exercício de resistência emocional, sempre dividido entre a esperança dentro de campo e a busca pelo pub mais próximo para aliviar o sofrimento.
É nesse cenário de pessimismo crônico que surge a nova campanha da Tennent’s e da Leith para a Copa do Mundo, filmada no pub The Rose Reilly, em Glasgow, e estrelada por Rory McCann, conhecido mundialmente por interpretar Sandor Clegane, o “Cão de Caça”, em Game of Thrones.
A expectativa inicial era de mais uma peça publicitária baseada na autodepreciação típica do futebol escocês: piadas sobre derrotas inevitáveis, conformismo e a sensação recorrente de que “talvez na próxima”.
Afinal, após 28 anos longe do principal torneio do futebol mundial, muitos torcedores passaram a encarar qualquer campanha da seleção com desconfiança e ironia.
O texto também faz referência às mudanças recentes promovidas pela FIFA, que ampliou gradualmente o número de seleções participantes da Copa do Mundo, transformação vista por alguns torcedores como um dos fatores que recolocaram a Escócia na disputa internacional.
Mais do que uma simples campanha publicitária, o comercial explora o peso emocional que a Copa do Mundo carrega para os escoceses: um misto de esperança, trauma esportivo e identidade nacional que atravessa gerações.
Tennent’s aposta em memória afetiva e esperança coletiva em campanha sobre a volta da Escócia à Copa
A nova campanha “Time to Dream” (“Time dos Sonhos”, na tradução literal), lançada pela Tennent’s em parceria com a agência Leith, abandona o tom puramente irônico tradicionalmente associado ao futebol escocês e aposta em uma abordagem mais emocional e nostálgica para celebrar o retorno da Escócia ao cenário da Copa do Mundo.
Estrelado por Rory McCann, o filme se passa em um pub de Glasgow cuidadosamente ambientado para transitar entre 1998, ano da última participação escocesa no torneio, e os dias atuais. Ao longo da narrativa, o estabelecimento se transforma em um espaço simbólico que reúne lembranças, frustrações acumuladas e uma esperança ainda cautelosa entre os torcedores.
Sem recorrer ao sentimentalismo exagerado, a campanha constrói sua força a partir de um monólogo intimista conduzido por McCann, enquanto o personagem brinda aos fãs que aguardaram quase três décadas por um momento como esse. A frase central do comercial resume o espírito da peça: “Ainda não estamos prontos para acordar”.
Segundo Hazel Alexander, gerente sênior de marca da Tennent’s, a ideia nasceu da emoção vivida pela equipe no momento da classificação da Escócia.
A executiva afirma que a campanha buscava capturar a sensação coletiva de alívio, euforia e pertencimento que tomou conta dos torcedores após a confirmação da vaga.
O filme também explora a relação histórica da marca com o futebol escocês. Alexander destaca que a Tennent’s acompanha os torcedores “há décadas”, participando tanto dos momentos de celebração quanto das derrotas dolorosas e das longas caminhadas de volta para casa após eliminações.
Essa conexão dá autenticidade à campanha, que não se posiciona apenas como patrocinadora, mas como parte do próprio ritual que cerca o futebol na Escócia, da cerveja antes do apito inicial ao reencontro no pub após as partidas, sempre acompanhado pela combinação de medo, esperança e insistência em acreditar.
De acordo com a marca, o planejamento da campanha começou ainda no fim do ano passado, antes mesmo da classificação estar garantida.
A intenção era traduzir a dimensão emocional que a possível volta ao torneio representava para o país. A classificação, impulsionada por momentos decisivos como o voleio de Scott McTominay, acabou ampliando ainda mais o impacto simbólico da campanha.
O pub na Escócia escolhido para as filmagens, o Rose Reilly, também carrega forte valor histórico. Segundo Sam Muir, criativo da agência Leith, o local foi selecionado por sua atmosfera atemporal e pela ligação direta com a história do futebol escocês através de Rose Reilly, considerada uma das pioneiras do futebol feminino no país.
Foto: Unsplash

