A Unilever firmou um acordo para fundir sua divisão de alimentos com a McCormick, empresa norte-americana especializada em molhos e condimentos. A operação dará origem a uma nova companhia avaliada em cerca de US$ 66 bilhões, com receita anual estimada em US$ 20 bilhões.
O movimento consolida a estratégia da Unilever de se afastar gradualmente do setor alimentício, tendência observada ao longo da última década, para concentrar investimentos em seu segmento de beleza e cuidados pessoais, que apresenta crescimento mais acelerado e margens mais elevadas. Semanas antes do anúncio, a companhia já havia confirmado negociações em andamento com a McCormick.
Pelos termos do acordo, a Unilever e seus acionistas ficarão com 65% da nova empresa, enquanto a McCormick deterá os 35% restantes. Além disso, a multinacional britânica receberá US$ 15,7 bilhões em dinheiro como parte da transação.
Em comunicado, o CEO da Unilever, Fernando Fernández, classificou o negócio como “um passo decisivo” no fortalecimento do portfolio da empresa.
Já Brendan Foley, CEO da McCormick, destacou a afinidade estratégica entre as companhias, afirmando que a divisão de alimentos da Unilever complementa a atual linha de produtos da empresa americana.
A nova estrutura reunirá marcas consolidadas como Hellmann’s, Knorr e Marmite, da Unilever, além de produtos como o tradicional molho picante Cholula, da McCormick. As operações da Unilever na Índia, no entanto, não estão incluídas na transação.
Estrutura fiscal da Unilever eficiente marca fusão entre Unilever e McCormick
Estruturada no modelo conhecido como “Reverse Morris Trust”, a fusão entre a divisão de alimentos da Unilever e a McCormick combina pagamento em dinheiro e troca de ações, permitindo à multinacional britânica reduzir de forma significativa a carga tributária associada à operação.
Com a conclusão do negócio, a Unilever deve consolidar sua transformação estratégica, deixando de atuar como um conglomerado diversificado para se posicionar de forma mais focada no segmento de beleza e cuidados pessoais, hoje considerado seu principal motor de crescimento.
O movimento acompanha uma tendência mais ampla no setor de bens de consumo, em que grandes empresas vêm reduzindo seus portfólios diante da desaceleração nas vendas. A estratégia busca priorizar categorias mais rentáveis e abandonar áreas com demanda em queda, influenciadas por
Mudanças no comportamento do consumidor, como a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis e o avanço de medicamentos para perda de peso à base de GLP-1.
Nos últimos anos, a Unilever já havia promovido uma série de desinvestimentos, incluindo a venda de suas operações de pastas para barrar, chás e sorvetes, posteriormente transformadas em uma empresa independente, além de marcas menores, como Graze, no segmento de snacks, e Vegetarian Butcher, voltada a produtos à base de plantas.
Para a McCormick, a operação representa uma oportunidade estratégica de expansão, especialmente em mercados emergentes onde a Unilever possui forte presença e uma rede de distribuição consolidada.
Em termos financeiros, a divisão de alimentos da Unilever registrou receita de US$ 12,9 bilhões em 2025, enquanto a McCormick reportou faturamento de US$ 7 bilhões no mesmo período, evidenciando a relevância da nova companhia no cenário global.
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