Após quase dois anos de incertezas em torno de sua permanência nos Estados Unidos, o TikTok formalizou a transferência de suas operações no país para uma empresa recém-criada, movimento que assegura a continuidade da popular rede social em território americano.
A nova estrutura, batizada de TikTok USDS, nasce de uma joint venture entre a ByteDance, controladora original da plataforma, e um grupo de investidores dos Estados Unidos.
Pela nova configuração societária, a participação da ByteDance foi reduzida para 19,9%, ficando abaixo do limite estabelecido pela legislação americana.
Com a criação da TikTok USDS, o futuro da plataforma chinesa nos EUA ganha maior estabilidade. Em abril de 2024, o Congresso e o Senado aprovaram uma lei que condicionava a permanência do TikTok no país à saída da ByteDance do controle da operação americana, em meio a preocupações relacionadas à segurança nacional e à possível influência do governo chinês.
A legislação determinava o prazo de 19 de janeiro de 2025 para que a ByteDance encontrasse um comprador para sua subsidiária nos Estados Unidos.
O período expirou sem a concretização de uma venda, mas a situação mudou após a posse de Donald Trump como presidente. O republicano assinou uma série de ordens executivas que estenderam o prazo originalmente previsto na lei.
A atuação de Trump no caso é marcada por contradições. Durante seu primeiro mandato, ele chegou a tentar banir o TikTok do país.
Já na campanha presidencial de 2024, o então candidato reconheceu o papel estratégico da plataforma para alcançar eleitores mais jovens e, após vencer a eleição, manifestou publicamente seu compromisso em preservar o aplicativo no mercado americano.
Trump comemora acordo do TikTok nos EUA, mas estrutura da nova empresa segue sob críticas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, celebrou publicamente o acordo que garantiu a continuidade do TikTok no país.
Em publicação feita na plataforma Truth Social, Trump afirmou estar “muito feliz por ter conseguido ajudar a salvar o TikTok” e disse esperar ser lembrado por usuários da rede social no futuro.
O presidente também agradeceu ao líder chinês, Xi Jinping, por concordar em cooperar com os Estados Unidos e viabilizar a transferência das operações americanas do aplicativo para uma nova empresa.
Apesar do tom otimista adotado por Trump, críticos avaliam que a reestruturação do TikTok nos Estados Unidos não elimina por completo os riscos que a plataforma poderia representar à segurança nacional.
Segundo o Financial Times, a ByteDance deve manter o controle das divisões de comércio eletrônico e publicidade do TikTok no mercado americano, o que permitiria à empresa chinesa reter a maior parte dos lucros da operação, conforme relatou um ex-investidor da companhia ao jornal.
Sócios da TikTok USDS
A joint venture TikTok USDS reúne, além da ByteDance, a empresa de software Oracle e os grupos de investimento Silver Lake, dos Estados Unidos, e MGX, de Abu Dhabi.
Cada uma dessas três empresas detém uma participação de 15% na nova companhia, que também conta com investidores individuais como Michael Dell e o empresário francês Xavier Niel. Embora Trump tenha sugerido anteriormente a possível entrada do magnata da mídia Rupert Murdoch no projeto, ele acabou ficando de fora da iniciativa.
A liderança da TikTok USDS ficará a cargo de Adam Presser, atual chefe de Operações e de Segurança e Confiança do TikTok nos Estados Unidos. Já o CEO global da plataforma, Shou Chew, ocupará uma das sete cadeiras do conselho administrativo da nova empresa.
De acordo com o plano estabelecido, os dados dos usuários americanos continuarão a ser armazenados em data centers da Oracle. A participação da companhia, fundada por Larry Ellison, aliado pessoal de Trump, tem sido alvo de críticas do Partido Democrata, que acusa o presidente de favorecer “amigos bilionários” e ampliar o controle privado sobre o conteúdo consumido pelos cidadãos americanos.
O TikTok USDS também receberá uma cópia do algoritmo da plataforma, que passará por revisão e reconfiguração com base exclusivamente em dados de usuários dos Estados Unidos.
A legislação aprovada em abril de 2024 determina que nem o governo chinês nem a ByteDance possam exercer qualquer influência sobre esse algoritmo, norma criada a partir do temor de que Pequim pudesse acessar dados sensíveis ou interferir na formação de opinião do público americano.
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