1. – Filho! Você precisa mudar. Disse a mãe do garoto.
– Mudar pra quê mãe? Eu estou super legal.
– Sei! Você ta legal é para se dar mal na vida. Depois que você acabou o colégio você não quer saber de mais nada.
– Agora fica aí o dia inteiro dentro desse quarto só comendo e dormindo.
– Essa semana você ficou dormindo na segunda, ficou dormindo na terça, na quarta, na quinta e hoje que é sexta feira, você só saiu do quarto para ir ao banheiro. Ficou dormindo o dia inteirinho. Eu não sei como você aguenta?
– Quero só ver o que você vai fazer na semana que vem. Desabafou a mulher.
– Pode ficar tranqüila, mãe. Na semana que vem eu vou fazer um lance diferente.
– Vai?
– Vou!…Quero sair dessa rotina.
– Que bacana filho! O que você vai fazer?
– Vou dormir na sala. (Edilson Rodrigues Silva)
2. O Código do Marketing, de Stephen Brown, não é um livro fácil de encontrar. Eu mesmo só topei com ele na Feira do Livro depois de muitas tentativas nas mais diversas livrarias, inclusive as online. Tinha sido me recomendado pelo Júlio Pimentel com tamanho entusiasmo que não desisti.
Isso aconteceu outro dia, de sorte que ainda não tive tempo de lê-lo por inteiro. Mas até aqui está valendo a pena.
3. O Código do Marketing começa relatando uma palestra das professora Emer Aherne sobre Dan Brown e o seu O Código Da Vinci.
Calma, não vou contar o fim do livro, nem descrevê-lo. Seria uma sacanagem com você e não quero cometer isso.
Com sua licença, porém, me detenho em um trecho da palestra da professora Emer Aherme, porque de alguma forma diz respeito a um assunto que tenho tratado aqui.
4. Ela fala de quatro segredos responsáveis pelo sucesso de Don Brown:
“O primeiro é o entretenimento, o ingrediente-chave. Apesar de todas as suas falhas literárias, O Código Da Vinci é muito bom de ler, uma verdadeira montanha russa. É uma história inesquecível e maravilhosa, carregada de emoções, que não se consegue largar no meio.Representa a economia do entretenimento de nossos dias, a expectativa do que vem a seguir, tudo o que é veloz, agressivo e está na moda.”
5. Pulo o segundo e o terceiro segredo pra você ter a oportunidade de descobri-los. Mas, em respeito ao assunto que quero tratar hoje, não posso deixar de relatar o quarto:
“A quarta e última, a controvérsia, foi fundamental. Não há nada como a controvérsia para atrair a atenção, ainda mais no mundo de abundantes semelhanças de nossos dias. Há tantas marcas, todas funcionalmente indistinguíveis, todas competentemente comercializadas, todas lutando pelo olhar do consumidor, que fica muito difícil destacar-se da multidão. O clamor comercial hoje é ensurdecedor, e a controvérsia ajuda a vencer a cacofonia. A desaprovação oficial do Vaticano foi o melhor que Brown poderia ter esperado. A ira da Opus Dei, os protestos de historiadores desconhecidos e os processos propostos por autores ultrajados que alegavam ter Dan roubado suas ideias, tudo ajudou a vender as mercadoria. Madona vem fazendo a mesma coisa há anos. Eminem é igualmente um praticante dessa doutrina.”
6. A cada vez melhor revista Negócios da Comunicação, dirigida pelo meu ídolo Audálio Dantas, trouxe, em sua edição mais recente (número 69), matéria sob o título Os limites da Criação em que o repórter Lucas Vasques entrevista vários criativos da publicidade. Todos, com a mesma queixa: o politicamente correto impõe obstáculos intransponíveis, que prejudicam o trabalho deles.
E concordam: por causa disso, a propaganda ficou muito chata. Transcrevo trecho das declarações de Ricardo D. Paoliello, redator sênior da Agnelo Pacheco:
.. o humor é mal interpretado. Está provado que o humor, na propaganda, é o responsável pelos maiores índices de recall. De que propaganda engraçada você se lembra neste exato momento? Talvez a dos Postos Ipiranga e aquela… como é mesmo o nome do produto? Os clientes estão pagando caro por esse medo. Estão gastando mais dinheiro porque perdem recall. Houve um emburrecimento da linguagem. A computação disfarça as ideias pouco criativas, a falta de roteiros inteligentes.”
7. Deus me livre colocar em cheque as palavras dos criativos, mas serão os clientes os únicos culpados ou está faltando coragem pra eles? Não sei quantas vezes vi esse filme na minha longa carreira profissional. E posso garantir: não esperem uma mudança espontânea dos clientes. Nem a ajuda do atendimento. Eles estão na zona do conforto e é preciso arrancá-los de lá, tirá-los da rotina.
Acordá-los da soneca no quarto e não permitir que durmam na sala. Pra isso, bastam vontade e talento.
Toda vez que a criação partiu para enfrentar a acomodação, saiu vencedora. E pode ser assim agora.
