Publicidade
Réveillon de Floripa surpreendeu. Drones no lugar dos fogos.
03 de Janeiro de 2024

Réveillon de Floripa surpreendeu. Drones no lugar dos fogos.

Atrações inovadoras no lugar da tradição, dividiram opiniões

Publicidade
Twitter Whatsapp Facebook

Imagem: Ignacio Aronovich – Divulgação Prefeitura de Florianópolis

Publicidade

Entidades que promovem a cidade elogiam a iniciativa da inovação e pedem avaliação no formato apresentado, bem como na questão da queima de fogos

 

Informações disponibilizadas pela Prefeitura de Florianópolis revelam que mais de 400 mil pessoas estavam na Avenida Beiramar na “hora da virada”. Público composto por moradores e turistas de vários pontos do país. Estes, “fregueses da virada na Beiramar”, certamente, em função de anos de investimentos na imagem do evento e da cidade, realizados pelas entidades ligadas aos segmentos que têm no turista uma importante fatia do seu faturamento.

 

Expectativa

Uma grande ação de mídia foi realizada pela Prefeitura de Florianópolis para convidar moradores e turistas para o evento com suas várias atrações. A Record News Nacional e o portal ND+ transmitiram o Réveillon Floripa ao vivo, o que revela o grande interesse da emissora da Rede Record pelo tão famoso Réveillon de Florianópolis. O Prefeito Topázio Neto, em matérias divulgadas pela mídia, enfatizava a inovação e destacava as atrações, informando que o investimento geral no evento era de R$ 5 milhões.

 

Repercussão

A distância entre a Praça Celso Ramos e o Trapiche (local das apresentações) é de 1,8 km. Nesse trecho se concentrou a maioria das 400 mil pessoas.
Muitas publicações nas redes sociais feitas ao longo da madrugada e no dia 1 de janeiro trouxeram todo tipo de manifestação. Desde os que defendiam os drones no lugar do foguetório até os que condenaram a troca (a maioria dos comentários- leia aqui). Por outro lado, matéria divulgada pela Rede Globo com produção feita pela NSC, mostrou atrações que a maioria dos 400 mil não viu, pois as câmeras estavam a pouco metros delas e, por isso, registraram um evento “lindo demais”. Para quem assistiu pela TV, certamente, foi impactado positivamente. Assista ao vídeo abaixo com essa reportagem.

 

 

Drones em Balneário Camboriú

Outra cidade catarinense que fez uso de drones foi Balneário Camboriú, que num acordo com Abu Dhabi, promoveu o show de drones, que começou por volta das 23h50 e teve duração de 10 minutos. O “experience Abu Dhabi”, foi realizado, gratuitamente, pelo governo da cidade de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos como parte de uma parceria com a cidade iniciada com o AJP (Abu Dhabi Jiu-Jitsu Professional Tour), ocorrido em Balneário Camboriú em 2022. Segundo Fabrício Oliveira, prefeito de BC, “essa conexão resultou em uma aproximação significativa entre as duas cidades, levando a um intercâmbio de informações que evoluiu para agendas oficiais com nossa presença na capital dos Emirados Árabes. Esse relacionamento foi se solidificando e promoveu não apenas a prática esportiva, mas também a troca cultural e o fortalecimento das relações entre nossas cidades.”

 

 

Ruído da queima de fogos – a polêmica

O centro da discussão, queima de fogos com barulho em Florianópolis, tem origem na Lei Municipal (Projeto de Lei de N° 01626/2017)  que entrará em vigor neste ano, que proíbe ruído com essa ação. Tal Lei foi criada como uma solução em benefício de pessoas autistas, idosos e pets. Uma curiosidade sobre essa iniciativa é o fato de Florianópolis ser a pioneira nessa mudança, uma vez que no mundo inteiro os shows pirotécnicos já usam fogos de baixo ruído. Inclusive, Floripa usou aqui em 2022. Na maioria das cidades mais famosas, que realizaram fogos na virada do ano, têm a mesma receita: evolução dos fogos ano-a-ano, promovendo o encantamento e mantendo a tradição milenar da festa de final de ano. Receita clara de sucesso que agrada a todos

Nossa reportagem entrou em contato com a Vereadora Pri Fernandes, autora do Projeto de Lei, solicitando informações sobre a aplicação da Lei em 2024, manutenção das regras e eventuais alterações, mas até o fechamento desta edição não teve resposta.

Conversamos com Marcelo Kokote, representante da Associação de Representação Nacional de Empresários da Pirotecnia (AME Pirotecnia), que congrega empresas que realizam shows nas principais cidades brasileiras, buscando informações sobre esse incômodo provocado pelos estampidos dos fogos de artifício.

“A AME fez um lindo trabalho com os autistas, inclusive com queima de fogos (igual de Réveillon), com presença de quatro secretários da Prefeitura de Florianópolis, com uma bela repercussão em novembro. Enviamos o resultado para a Prefeitura e mostramos que os fogos do Réveillon não eram o problema, inclusive conseguimos ter êxito com um VETO na lei que limitava os fogos. Veto ainda, em análise na câmara de vereadores”, ressalta Marcelo Kokote.

Em contato com a Associação de Amigos e Pais de Autistas de Florianópolis apuramos que o resultado da queima de fogos no mês de novembro foi satisfatório e que na sequência enviou ao Prefeito Topázio um ofício solicitando uma revisão nos parâmetros da Lei que proíbe o uso de fogos de artifício. A íntegra do ofício você acessa aqui.

Imagem: Alexandre Macieira

 

Entidades do Trade

Se a festa da Avenida Beiramar no Réveillon de Florianópolis atrai tanta gente é porque investimentos foram realizados ao longo de vários anos pela Prefeitura da cidade e pelos empresários e respectivas entidades que fomentam o turismo da cidade. Diante de relevante divisão de opiniões nas redes sociais, onde a população se manifesta livremente, o AcontecendoAqui procurou entidades representativas da cidade para saber sua opinião sobre a mudança no formato do evento. Confira:

 

ABIH SC – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis SC
Achamos uma festa bonita, bem organizada, com presença de público muito boa. A questão do trânsito é sempre um problema, considerando uma festa desse tamanho não tem como solucionar. A ABIH SC considera válida a tentativa de inovar por parte da Prefeitura. O show com drones é um ponto a ser avaliado, pois a expectativa das pessoas era muito grande para ele. É preciso rever a forma como foi feito, assim como a questão da queima de fogos, que é um atrativo que sempre encanta no Réveillon porque é muito esperado, apesar das pessoas já estarem cientes que nesse ano (2023) não teria a tradicional queima de fogos. Neste quesito precisa ser avaliada a questão dos ruídos que segundo consta, incomodam animais de estimação e pessoas autistas. Como a própria Prefeitura já sinalizou, precisam ser avaliados os pontos fortes e fracos desta edição e melhorar para os próximos anos.

Luciano Pereira Oliveira – Diretor Regional da ABIH SC

 

ACIF
A Associação Empresarial de Florianópolis (ACIF) parabeniza o evento de Réveillon da cidade e destaca as inovações introduzidas. A entidade compreende a importância de reconhecer e celebrar os esforços que visam tornar nossas celebrações mais marcantes e inclusivas.

Embora se tenha observado alguns pontos de melhoria durante o evento, é vital ressaltar que tais aspectos fazem parte intrínseca do processo de inovação. Essas observações não diminuem de forma alguma a qualidade e o esforço empregados na entrega do espetáculo. Pelo contrário, constituem lições valiosas que contribuirão para aprimorar futuras celebrações e eventos.

A sincronia entre as diversas atrações e a estrutura montada para garantir o conforto e a segurança da população demonstraram o compromisso da organização com todos os presentes. O presidente da associação, Célio Bernardi, esteve presente no evento e enfatiza: “A celebração se destacou pela união de inovação, tecnologia, arte, cultura e belezas naturais da capital catarinense em um único lugar. Esta combinação reflete a visão que a cidade procura vender, destacando o evento como um ponto de convergência desses elementos diversos.”

Célio Bernardi, presidente da ACIF

 

Destino Floripa & Região
Sobre as transformações no formato dos eventos que marcaram as celebrações de Ano Novo na Av. Beira Mar Norte e Beira Mar Continental, observamos que o evento proporcionou uma experiência positiva, repleta de novidades e atrações que encantaram a maioria dos participantes. Entretanto, compreendemos que as recentes mudanças, como a substituição dos artefatos pirotécnicos por elementos tecnológicos (drones, lasers, etc.), não são consenso entre as diferentes parcelas da população. Reconhecemos que essa transição pode causar descontentamento entre aqueles que apoiam a manutenção do modelo anterior, e esse processo levará algum tempo para ser plenamente absorvido.

Por outro lado, reforçamos que os elementos que nos diferenciam de outros destinos turísticos e que atraem os turistas para nossa região são nossas belezas naturais, a limpeza e organização da cidade, a sensação de segurança, infraestrutura turística, educação, cultura e a receptividade do nosso povo. Esses fatores, aliados a um planejamento cuidadoso das ações para a temporada de verão, incluindo os dois principais eventos catalisadores de maior demanda turística (Réveillon e Carnaval), têm o potencial de ampliar nossa competitividade e nos destacar nacionalmente.

Destacamos, assim, a importância de uma parceria contínua entre a PMF, através da Setur, e as entidades do trade turístico para o planejamento, desenvolvimento, apoio e promoção de iniciativas que fortaleçam as potencialidades econômicas de nossa região, especialmente na interseção entre turismo e tecnologia, buscando proporcionar experiências autênticas e memoráveis não apenas para turistas, mas também para os residentes locais.

Mário Costa – presidente do Destino Floripa

 

Floripa Sustentável
Entidade alertou Prefeito sobre fogos antes da Lei ser sancionada.
Sobre a polêmica do espetáculo da Virada de Ano na Beira Mar Norte sem fogos de artifício com estampido e as manifestações que mostram que o evento que vêm dividindo as opiniões na cidade, o coordenador geral do Floripa Sustentável, o publicitário Roberto Costa, lembra que antes de a Lei ser sancionada, em 31 de outubro do ano passado, o movimento enviou uma carta ao prefeito Topázio Neto fazendo algumas ponderações e pedindo veto a alguns trechos do projeto.

“Em nome das 44 entidades que integram o Floripa Sustentável nós expressamos na carta o apoio à iniciativa da proibição do manuseio, queima, soltura ou qualquer forma de utilização de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos que gerem ruídos”, afirma Roberto Costa, acrescentando que tal medida teria ‘impacto positivo na qualidade de vida dos cidadãos de nossa Cidade, na proteção dos animais e no meio ambiente’. No entanto, na carta, o movimento pedia que o prefeito vetasse a limitação a 60 decibéis, levando em conta estudos técnicos apontando que é “um volume de ruído muito baixo, especialmente levando em conta que os fogos são disparados a uma grande distância da praia e o som se espalha”, diz Roberto Costa. Para ele, “se isso tivesse sido levado em consideração, talvez pudéssemos ter um misto de fogos e drones, o que acrescentaria ao espetáculo”.

Roberto Costa – coordenador geral do Floripa Sustentável

Até o fechamento desta edição a ABRASEL-SC não enviou sua posição e a CDL – Florianópolis respondeu: “Sobre a pauta, agradecemos pela oportunidade de contribuição, mas, neste momento, optamos por não nos manifestarmos a respeito.”

Publicidade
Publicidade