A Maratona de Londres voltou a ser palco da disputa simbólica entre Adidas e Nike após o queniano Sebastian Sawe completar a prova em 1h59min30s, registrando o primeiro tempo oficial abaixo da marca de duas horas.
O resultado não apenas entrou para a história do atletismo, como também redefiniu a narrativa envolvendo duas das principais fabricantes esportivas do mundo.
O feito ultrapassou o campo esportivo ao atingir diretamente o discurso construído pela Nike ao longo dos últimos anos, centrado na busca por quebrar essa barreira histórica.
A empresa norte-americana liderou essa agenda com iniciativas como o projeto Breaking2 e com o protagonismo de Eliud Kipchoge, consolidando sua posição como referência nesse objetivo, enquanto a Adidas parecia distante dessa corrida.
Desta vez, no entanto, o cenário se inverteu. Sawe alcançou o recorde utilizando o Adizero Adios Pro Evo 3, modelo mais recente da Adidas voltado ao alto desempenho.
Com apenas 97 gramas, o tênis foi desenvolvido após anos de pesquisa e combina espuma ultraleve com placa de carbono para otimizar a eficiência durante a corrida. Comercializado por cerca de 500 euros, o produto representa a aposta mais ousada da marca alemã no segmento de elite.
Após recorde, Adidas e Nike travam disputa de narrativa em tempo real
O impacto do resultado em Londres rapidamente deixou de girar apenas em torno do cronômetro para se concentrar na resposta das marcas ao feito histórico.
Atenta ao potencial simbólico do momento, a Adidas foi a primeira a agir. Sem aguardar as tradicionais ativações pós-prova, a empresa atualizou a foto de perfil de suas redes sociais com o tempo de 1h59min30s, transformando o marco esportivo em peça central de comunicação e reforçando uma estratégia que conecta diretamente produto e performance.
O desfecho da prova, por outro lado, colocou a Nike em uma posição menos dominante em um território que, por anos, ajudou a construir.
A marca norte-americana esteve à frente da evolução da corrida de alto rendimento com modelos como Vaporfly e Alphafly e com a narrativa em torno da quebra da barreira das duas horas, agora oficialmente superada por sua principal concorrente.
O episódio ocorre em um momento em que a rivalidade entre as empresas se intensifica, impulsionada pelos avanços tecnológicos dos calçados, cada vez mais determinantes no desempenho dos atletas.
Diante da relevância estratégica do episódio, a Nike optou por não se ausentar do debate. Em um movimento incomum para a rivalidade entre as duas gigantes, a empresa parabenizou publicamente a Adidas.
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Nas redes sociais, a marca publicou uma mensagem curta e direta: “O cronômetro foi zerado. Não há linha de chegada”. A declaração foi interpretada como uma tentativa de permanecer inserida na narrativa global do recorde, ao mesmo tempo em que sinaliza que a disputa entre as duas empresas segue em aberto.
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