O mundo comemorou, no dia 15 de março, o Dia Mundial do Consumidor com uma série de avanços nas relações de consumo na base da conquista de direitos e garantias. Os números da Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça, registram 2,4 milhões de reclamações contra empresas, produtos e serviços no ano passado, um acréscimo de 22% em relação ao ano anterior. Isso reflete o aumento do número de consumidores e também sua consciência e o quanto as empresas ainda precisam melhorar para satisfazer seus clientes, principalmente nos setores de bancos e telefonia móvel e fixa, campeões das queixas.
Em Santa Catarina, os números do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor, que reúne o Procon Estadual e os Procons municipais, demonstram que foram feitas 94.304 reclamações em 2013, sendo os serviços essenciais os que mais apresentaram problemas (30,1%), seguidos de produtos (28,9%) e dos serviços financeiros (21,8%). A partir da análise desses números, é possível dizer que o mercado consumidor evolui mais rápido do que as empresas e prestadores de serviços. Basta ver que muitas das empresas são líderes mundiais que apresentam deficiências no atendimento às expectativas dos consumidores.
Particularmente, julgo importante a atuação dos órgãos de defesa do consumidor contra o abuso do poder econômico e do marketing das empresas para reduzir a vulnerabilidade e a proteção do consumidor conforme previsto em nossa Constituição. Mas mais do que isso, ainda acredito na soberania do consumidor, cuja ideia pressupõe, antes de mais nada, o poder de escolha. Isso implica dizer que o consumidor precisa se conscientizar da posse desse poder e exercer essa soberania. De que forma? Simples: foi desrespeitado, enganado, lesado, prejudicado, discorda da empresa ou considera o preço alto, não compre.
Quando deixamos de consumir, ajudamos a regular a lei da oferta e da procura e, consequentemente, dos preços e qualidade dos produtos. Afinal, são as organizações que precisam de clientes e nunca o contrário. O desprezo a um produto/serviço é a penalidade mais pesada que podemos arbitrar a uma empresa, sendo capaz de levá-la à falência. Este é um direito que somente a liberdade de escolha nos permite. Eu, por exemplo, já desisti das operadoras de televisão a cabo, alguns bancos e várias marcas, produtos e serviços. Além de tornarem a vida mais simples, essas decisões reforçam o poder e a soberania do consumidor.
