Uma das características que mais apreciei no Vale do Silício é abertura das pessoas para o compartilhamento do saber e das práticas, um show de generosidade e sabedoria vindo de todos os nossos interlocutores lá. Nem inventores de tecnologias que impactaram o mundo, como a do HD TV, muito menos ganhadores de leão em Cannes, como o brasileiro que nos recepcionou na IDEO, se acham melhores do que cada um de nós que teve a oportunidade de interagir com eles.
E por isso começo essa coluna, na qual pretendo contar um pouco de minha vivência de 5 dias no Vale do Silício, pela parte do sentimento e da emoção. Antes de qualquer outra coisa que eu possa contar, digo que viver esses 5 dias em um ambiente inovador e ter a oportunidade de conversar e trocar com pessoas que considero ícones de transformações no nosso mundo não tem preço. Me sinto renovada, inspirada e transformada com o ganho desses novos conhecimentos e vivências, que permanecerão para sempre em minha mente e no meu coração. Saio daqui ainda mais convencida de que para se criar algo novo e de impacto é preciso desafiar e mudar o mindset, e para isso um choque de inovação de 5 dias como nós vivemos é fundamental.
Faz tempo que sei que para inovar temos que ir muito além de conhecer e dominar técnicas e metodologias, mas hoje estou convencida de que é preciso ver na prática e trocar com pessoas que respiram e praticam as mesmas todos os dias. Todas as pessoas com quem tivemos a oportunidade de trocar são muito generosas e deixam transparecer a paixão pelo que estão fazendo, e para mim essa é a fórmula do seu sucesso.
Vou contar um pouco da nossa vivência através da minha percepção das pessoas que trocaram conosco e não da descrição do curso na UC Berkeley, das visitas e encontros em locais ícones da inovação.
Começo pelo professor Steve Blank, que já era meu ídolo e a quem agora admiro ainda mais. Steve é uma mente brilhante que se determinou a mudar o mundo através do empreendedorismo. Criador de inúmeras StartUps, e hoje um milionário em função da venda de algumas delas, é uma pessoa acessível que foi muito além de nos ensinar os segredos de suas metodologias Customer Development e Lean Start Up, que hoje ganharam o mundo do empreendedorismo e os ambiente das melhores escolas de negócios. Ele nos falou que o mais importante no uso do customer development é compreender o ser humano e faz toda a diferença para o sucesso de um negócio parar para ouvir e trocar com nossos clientes. Mas acima de tudo, destacou que a inovação não ocorre sem um empreendedor apaixonado, coisa que eu concordo 100% com ele e na qual muitas pessoas não prestam atenção. Ele podia entrar e palestrar, dar uma aula tradicional, mas prefere trocar o tempo todo, ouvir e levar seus conceitos para além do mundo dos negócios. Foi um privilégio estar com ele, respirar suas ideias e absorver os seus conhecimentos.
No mesmo curso estivemos durante dois dias inteiros com o professor Henry Chesbrough que é um mestre admirável e uma pessoa única em generosidade e empatia. Ele nos acompanhou do primeiro ao último momento do curso, inclusive nos intervalos de almoço e coffee breaks. Sempre com uma palavra gentil, demonstrando genuíno interesse e com algo a oferecer sobre nossa sede de conhecimento. Chesbrough nada mais é do que o pai da Inovação Aberta, conceito que revolucionou o ambiente de inovação nos EUA e no mundo. Imagine estar com uma pessoa dessa durante 2 dias como se você estivesse com um amigo seu! Tem preço isso? Ele teve uma generosidade enorme com nosso grupo de 15 participantes, chamou um a um pelo nome e conversou com todos individualmente. Me perguntou qual meu objetivo empresarial ao participar do curso e quando respondi que era o de criar uma metodologia brasileira para a inovação não tecnológica respondeu de bate pronto:coloca caipirinha que vai dar certo. Brincadeiras a parte, isso já me deixou super a vontade para iniciar um relacionamento de igual para igual com o mestre e no final do curso estava ele a me agradecer, como se preciso fosse, por trazer um grupo de brasileiros tão especial para o curso da UC Berkeley.
Nosso grupo teve uma atenção diferenciada por parte dos dois mestres e de toda a equipe da Hass School of Business que esteve lá conosco durante todo o curso e isso tornou a nossa experiência diferenciada e única. A proposta de valor deles supera as expectativas e causa um impacto muito além do conhecimento, da mesma forma que estamos tentando oferecer desde o primeiro curso na Clear em 2010.
No Vale do Silício a arrogância e o “Eu faço e aconteço ” não tem vez, todos se colocam de forma igual, não importa se criaram a tecnologia do HD TV como Curtis Carlson, um dos criadores da HD TV e membro do conselho de inovação o presidente Barack Obama, que generosamente nos recebeu no maravilhoso SRI ( Stanford Research Institute), berço de dezenas inovações que mudaram o mundo, ou se é um dos maiores investidores de negócios bilionários como o Mike Kavatinez da Azure Capital Partners, criador de empresas como a Billmelater.com que foi adquirida pelo Ebay em 2008 por 1 bi de dólares e que nos recebeu para uma conversa de 1 hora e meia, em seu escritório com uma vista deslumbrante de San Francisco, de forma voluntária e nos deu dicas de insider para novos negócios. Mike estava com um Power point preparado com uma apresentação especial para nosso grupo e na capa estava o nome Clear Educação e Inovação, precisa dizer algo mais?
Bem, até agora falei de grandes mestres e empresários bem sucedidos de uma faixa etária acima de 60 anos com quem tivemos o privilégio de interagir, mas as mesmas características e modelo mental encontramos nos jovens talentos, como os bem sucedidos brasileiros no Vale do Silício: Belmer Negrillo (IDEO) ganhador de leão em Cannes , Pedro Cintra (colaborador da Google) e Eduardo Henrique (Movile.com). O que eles tem em comum? A capacidade intelectual, o DNA da inovação, a generosidade da troca de conhecimento, o uso da palavra nós em vez de eu e a humildade que reina em todo o ecossistema de inovação no Vale.
Mais do que tudo, me sinto uma pessoa mais inspirada e pronta para grande desafios de inovação.
Agradeço imensamente a todas as pessoas que citei no post e aos meus companheiros de Innovation Learning Trip, que muito mais do que clientes, são hoje companheiros de um mundo inovador. Me sinto abençoada!



